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Analistas: Saída da CGD surge “numa péssima altura para a PT”

As acções da operadora liderada por Henrique Granadeiro continuam suspensas, mas deverão reagir em queda à notícia da saída do banco público da sua estrutura accionista, segundo os analistas.

Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 24 de Outubro de 2013 às 11:49
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A Caixa Geral de Depósitos (CGD) anunciou, esta manhã, que "pretende proceder à alienação de 54.771.741 acções da Portugal Telecom, representativas de aproximadamente 6,11% do capital social" da operadora. Um valor que corresponde à quase totalidade da participação que o banco público detém na operadora (6,31%,).

 

O banco vai proceder ao lançamento de uma oferta particular das acções, "através de um processo de 'accelerated bookbuilding' dirigido em exclusivo a investidores qualificados". A recepção de ordens tem efeito imediato.

 

Esta decisão tem um impacto “claramente negativo” para a operadora, antecipa Steven Santos. O gestor da XTB Portugal lembra que “a CGD é um accionista estratégico da PT e faz parte dos investidores portugueses. No contexto da operação de fusão com a Oi, era importante haver accionistas portugueses de referência para contrabalançar a influência dos investidores brasileiros”.


Para o mesmo especialista, “esta decisão pode ter sido acelerada depois da nota de ontem do BCE, que valoriza a venda de activos durante os testes de stress à banca europeia”.

 

Já Pedro Lino, administrador da Dif Broker, considera que “esta decisão já era esperada há algum tempo e até já tinha sido anunciada a intenção de venda assim que as condições de mercado o permitissem”, nomeadamente pela “necessidade de capital que iria obrigar a CGD a desinvestir de activos não estratégicos”.

 

Apesar disso, Steven Santos acredita que “esta notícia surge numa péssima altura para a Portugal Telecom porque ainda está a negociar a fusão com a Oi”. “Como a participação vai ser colocada numa operação directa para investidores institucionais, as acções e os direitos de voto deverão ficar dispersos, perdendo-se um accionista de referência que defendia a influência da PT dentro do gigante lusófono que vai ser criado”, justifica o gestor da XTB Portugal.

 

Uma posição que não é partilhada por Pedro Lino pois, “a partir do momento em que se anuncia a fusão com uma operadora de maiores dimensões onde os accionistas da PT serão minoritários, já não faz sentido estratégico manter esta posição”.

 

As acções da empresa continuam suspensas pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A PT fechou a sessão desta quarta-feira com uma descida de 1,02% para os 3,583 euros.

 

Quando for levantada a suspensão dos títulos, estes devem reagir de forma negativa, estimam os especialistas. “O risco de ‘overhang’ (excesso de acções no mercado) não estava descontado, surpreendendo negativamente o mercado”, espera Steven Santos.

 

“As acções da PT deverão reagir em forte baixa à semelhança dos outros ‘accelerated bookbuildings’, porque são mais de 57 milhões de acções que serão colocadas num só dia”, antecipa Pedro Lino.

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

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