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BBVA nega interesse no BCP aos actuais preços; analistas consideram compra possível

O BBVA não tem interesse em comprar o BCP, aos actuais preços. A compra de 10% ou a aquisição de um banco de dimensão média, como o BPI, faria mais sentido. Com um «free-float» de 60%, os analistas não consideram a estrutura do BCP impermeável.

Negócios negocios@negocios.pt 12 de Março de 2003 às 11:10
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O Espírito Santo Research (ESR) diz que o BBVA não terá interesse em comprar o BCP, aos actuais preços. A compra de apenas 10% ou a aquisição de um banco de dimensão média, como o BPI, faria mais sentido. Com um «free-float» de 60%, os analistas não consideram impermeável a estrutura do BCP.

Numa nota diária, ESR diz, citando fontes do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA), que o banco terá desmentido o interesse em comprar o BCP «aos actuais preços, pelo menos no presente momento». Uma informação que o Negocios.pt tentou confirmar, mas fonte oficial do banco em Bilbao não se encontrava disponível.

Do ponto de vista da casa de investimento, «os investidores que quiserem continuar a especular», deveriam apostar mais na compra de 10% do capital do Banco Comercial Português (BCP) [BCP], ou ao invés, apostar numa operação de aquisição de um banco de média dimensão, talvez o Banco BPI [BPIN].

A instituição liderada por Artur Santos Silva voltou hoje a tocar em novo máximo anual, ao ascender aos 2,33 euros, após uma valorização máxima de 1,3%. Num horizonte temporal de um mês, o Banco BPI lidera a tabela de valorizações do PSI20 [PSI20], com um ganho de 11,54%.

BPI pode ser alternativa ao BCP para expansão em Portugal

«Se o BBVA», cujos responsáveis se irão encontrar hoje com o Presidente da República e com o Primeiro Ministro, «não tem o BCP na lista de compra, poderá ter o BPI», questiona a corretora.

Do ponto de vista estratégico, o ESR diz que o BBVA estará mais interessado no México do que em Portugal, acrescentando que, «a compra de 45% do Bancomer, com um valor de aproximadamente 3 mil milhões de euros, seria mais barato do que comprar o BCP».

O banco presidido por Jardim Gonçalves tem, aos actuais níveis, um valor de mercado de 5,048 mil milhões de euros.

Na edição de hoje do «Público», o jornal diz que, no âmbito do aumento de capital de 931 milhões de euros, a UBS Warburg e a Merrill Lynch, que tomaram firme a operação, terão organizado uma «pool» restrita de instituições onde se encontra o BBVA, que se compromete a ficar com as acções que lhes forem atribuídas, podendo mantê-las em carteira, «como tudo indica que deverá acontecer com o BBVA».

De acordo com o Ibersecurities, apesar do BBVA ter negado estar em negociações com o BCP, a operação faria sentido de um ponto de vista estratégico, dada a presença marginal de 1% que o banco espanhol tem em Portugal, contra os 12% do rival Santader Central Hispano (SCH), que controla o Grupo Totta.

O SCH esteve recentemente envolto em especulações em torno de uma eventual compra do BPI, depois de ter anunciado que a posição no banco português, no final de 2002, ascendia directa e indirectamente a 11,975% dos direitos de voto.

Segundo explicou um analista ao Negocios.pt, apesar do Itaú ter anunciado publicamente o interesse em conservar a sua posição de 15% na estrutura accionista do banco, «não é de estranhar que, por exemplo, a Allianz, que controla 8,8% do BPI, e dado o contexto difícil do sector segurador e a necessidade de fundos, venha mostrar-se disponível para alienar a posição no BPI», fragilizando assim a estrutura accionista do grupo.

Em relação ao BCP, um outro analista diz que «não será assim tão complicado entrar no banco», já que tem um «free float» de 60%, lembrando, no entanto, a blindagem dos estatutos que limita o direitos de voto a 10% do capital.

Muitos dos accionistas do BCP são clientes do banco, e «na maior parte, devem estar a perder dinheiro», o que torna mais fácil aceitaram uma eventual oferta de compra, acrescida de um prémio.

No prospecto sobre a emissão de novas acções do BCP, a instituição diz que, no final de 2002, 5,1% dos clientes do grupo BCP detinham acções do banco, sendo que «um número substancial destes detêm igualmente valores convertíveis».

As acções do BCP subiam 1,32% para 1,54 euros, e o BPI somava 0,87% para 2,32 euros.

Por Pedro Carvalho

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