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BPI sobe avaliação da Galp e corta EDP e EDP Renováveis

O BPI Equity Research reduziu o preço-alvo para todas as empresas ibéricas de energia que cobre, à excepção da Galp. A empresa liderada por Ferreira de Oliveira viu a avaliação das suas acções subir 2,27%.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 13 de Abril de 2010 às 17:19
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O BPI Equity Research reduziu o preço-alvo para todas as empresas ibéricas de energia que cobre, à excepção da Galp. A empresa liderada por Ferreira de Oliveira viu a avaliação das suas acções subir 2,27%.

Numa nota de análise divulgada, o BPI cortou o preço-alvo da EDP de 3,90 para 3,60 euros, o que corresponde a uma redução de 7,69%. Apesar disso, a recomendação continua a ser de “comprar”.

Corte maior levou a EDP Renováveis, ao ver a sua avaliação cair em 16,6%, de 8,15 para 6,80 euros. Por outro lado, a empresa comandada por Ana Maria Fernandes viu a sua recomendação ser mantida em “acumular”.

A Galp Energia foi a única a ver o seu "target" revisto em alta, entre as nove empresas energéticas avaliadas pelo BPI. A avaliação das acções da petrolífera subiu em 2,27%, de 15,45 para 15,80 euros, e a recomendação ficou inalterada em “comprar”.

As recomendações para a Acciona, EDP, Galp, Gamesa, Gas Natural, Iberdrola e Iberdrola Renováveis mantiveram-se em “comprar”, ao passo que as da Repsol e da EDP Renováveis continuaram a ser de “acumular”.

O “research” do BPI para a energia em Portugal e Espanha salienta que o sector das “utilities” tem tido um desempenho mais fraco desde o início do ano, penalizado pela queda dos preços da energia e pela oferta excessiva de gás natural.

Desde o início do ano, as empresas do sector da energia renovável são as mais atingidas, sublinha a análise “Iberian Energy”. A EDP Renováveis, por exemplo, cai 11% no acumulado de 2010, depois de uma valorização de 32% em 2009.

Em contrapartida, o sector do petróleo e do gás está positivo em termos anuais, com a Galp a destacar-se, beneficiando da subida das cotações do crude e de uma aceleração de 10% da actividade de exploração.

O BPI refere que cortou as suas avaliações depois de ter actualizado os preços da energia e incorporado um prémio de risco do crédito nas actividades ibéricas devido aos recentes receios em torno das dívidas soberanas. “No entanto, mantemos uma perspectiva positiva para um sector que tem estado a comportar-se muito melhor do que a generalidade do mercado”, diz o documento.

Galp é a favorita

“No sector petrolífero, preferimos a Galp nesta fase, apesar da atractividade da Repsol, devido à sua exposição a uma campanha de prospecção no cada vez mais consensual pré-sal brasileiro e à sua valiosa parceria com a Petrobras”, salienta a análise do BPI, que acrescenta que a especulação irá intensificar-se no final do ano, devido ao fim do pacto de accionistas. “Há rumores de que a Sonangol e a Petrobras são candidatas a ficar com a participação da Eni (33,34%) se esta decidir vendê-la”.

Para o BPI, os resultados bem sucedidos nos testes aos poços do campo “offshore” Tupi são boas notícias no que diz respeito aos níveis de fluxo, exigência de capital ou antecipação da comercialização.

Entre as razões para comprar Galp, a análise do BPI aponta o potencial de valorização do Tupi e o facto de se prever um aumento da especulação no final de 2010, com o fim do pacto de accionistas.

Além disso, as necessidades de financiamento poderão libertar valor para a empresa liderada por Ferreira de Oliveira. “Um cenário de margens e volumes menores do que o esperado no negócio da refinação poderá pôr em risco a estratégia de financiamento da Galp, revista em Maio de 2009. A venda de uma posição de 49% nos activos regulados do gás poderia render até 655 milhões de euros”, destaca o documento.

Um quarto motivo para comprar Galp prende-se, segundo o BPI, com o valor da exploração e produção (especialmente devido ao seu posicionamento na bacia brasileira de Santos) e com a recuperação das margens de refinação.

Entre as ameaças, os analistas do BPI referem o facto de o segmento da exploração e produção ser volátil (a elevada exposição ao mercado final dos combustíveis em Portugal limita o potencial crescimento do volume) e dizem que não é de descartar a possibilidade de haver um aumento de capital.

EDP é um nome de qualidade entre os seus pares

Quanto à EDP, a análise do BPI salienta que a longa posição da eléctrica nos mercados do retalho e das vendas por grosso na Península Ibérica permite-lhe explorar um fosso positivo entre os preços contratados com os clientes e os actuais baixos preços no mercado “spot”, o que deixa prever mais um óptimo trimestre de lucros para a sua unidade de geração eléctrica.

Além disso, a empresa liderada por António Mexia é vista como um nome de baixo risco e de qualidade entre os seus pares, refere o BPI.

A análise do banco salienta, contudo, que a EDP está em queda de 6% desde o início do ano, arrastada pela descida de 11% da sua subsidiária do sector das renováveis. As perdas da casa-mãe são também ampliadas pelos receios do sector no que diz respeito à retoma dos preços da electricidade.

EDP Renováveis com porta aberta para subida da avaliação

Por seu turno, a empresa encabeçada por Ana Maria Fernandes viu a sua avaliação ser cortada devido ao seu anúncio de um ajuste em baixa, de 500 MW, da capacidade adicional para 2010 e 2011, especialmente nos EUA.

De qualquer das formas, segundo a análise do banco, a EDP-R deixou a porta aberta para potenciais revisões em alta do seu preço-alvo, caso haja uma melhoria no mercado dos acordos de compra de energia (PPA – Power Purchase Agreements) ou caso se dê a aprovação de uma “Energy Bill” nos EUA.

A “Energy Bill” norte-americana visa dar uma maior importância à chamada electricidade verde – proveniente de fontes energéticas não poluentes.

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