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CaixaBI e Haitong: Acordo é "positivo" para o BPI, mas faltam os detalhes

No dia em que terminava o prazo dado pelo BCE, os dois principais accionistas do BPI conseguiram chegar a acordo. Os analistas aplaudem que haja uma solução, até porque evita penalizações ao BPI. Mas apontam que faltam os pormenores.

André Tanque Jesus andrejesus@negocios.pt 11 de Abril de 2016 às 09:33
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A Santoro de Isabel dos Santos e o Caixabank chegaram a acordo, sobre o desinvestimento do BPI em Angola. Uma solução que já era aguardada, dizem os analistas, até porque o prazo terminava no domingo, 10 de Abril. Ainda assim, aplaudem que o processo chegue ao fim, já que o banco liderado por Fernando Ulrich consegue evitar as multas do Banco Central Europeu. Contudo, destacam que há muitos pormenores ainda por conhecer.

"Este potencial acordo não deve ser encarado como inesperado", atira André Rodrigues, numa nota a que o Negócios teve acesso. O analista do CaixaBI explica que, "não obstante os retrocessos ao nível das anteriores negociações, era nosso entendimento que o cenário de acordo entre as partes continuava a ser plausível".

Ainda assim, o especialista aponta que "trata-se de uma notícia positiva para o Banco BPI, pois permitirá solucionar a questão levantada pela ultrapassagem do limite dos grandes riscos, cuja data limite imposta pelo BCE foi atingida precisamente ontem". E André Rodrigues acrescenta que "qualquer acordo tenderá a promover uma estabilização na estrutura accionista do banco".

Um factor positivo, salienta, já que "a falta de entendimento entre o CaixaBank e a Santoro Finance [como revelaram as últimas assembleias gerais], num contexto da limitação estatutária de 20% na contagem de votos expressos, era um factor de bloqueio para a tomada de quaisquer decisões relevantes para o futuro do banco". Agora, "será importante conhecer os detalhes deste acordo bem como as alterações que implicará na estrutura accionista do BPI".

O CaixaBI acredita que a solução encontrada deverá "implicar o controlo do banco por parte do CaixaBank", o que levará a uma oferta pública de aquisição sobre o restante capital do BPI. Por outro lado, salienta André Rodrigues, "acreditamos que o mesmo dará um suporte adicional ao possível interesse do BPI - via CaixaBank - ao nível da consolidação do sistema financeiro nacional, nomeadamente no que se refere ao processo de venda do Novo Banco".

Também o Haitong vê o acordo como "positivo", uma vez que o BPI consegue, assim, "evitar as multas regulatórias do BCE devido à sua concentração de risco em Angola. Contudo, salientam os analistas Carlos Cobo e Juan Carlos Calvo, há ainda muitas incertezas em torno do acordo.

"Os termos finais são ainda desconhecidos, além de que a intenção de Isabel dos Santos cotar o BFA na bolsa de Lisboa indica que a transacção poderá não ser tão directa como inicialmente previsto", aponta o Haitong. E o banco de investimento conclui que "cotar o BFA poderá implicar que [Isabel dos Santos] mantenha uma posição maioritária no BFA com o Caixabank, ou que o Caixabank e os actuais accionistas minoritários do BPI detenham uma posição minoritária no BFA".

A reagir ao acordo estão as acções do BCP. Estas ganham 4,55% para 3,45 cêntimos, numa sessão em que já chegaram a disparar mais de 7%. Já as acções do BPI foram suspensas pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários antes do início da negociação, à espera que seja divulgada mais informação sobre o acordo.

NotaA notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

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