Research CFO expulsa único analista com recomendação negativa para a empresa

CFO expulsa único analista com recomendação negativa para a empresa

O gestor responsável pelas finanças da Pax Global Technology não gostou de ver na audiência um analista que não tinha sido convidado para estar presente na conferência sobre os resultados da empresa. Expulsou-o da reunião e o Nomura em seguida cortou o preço alvo da tecnológica de Hong Kong por ter um CFO com uma conduta que perturba o valor accionista.
CFO expulsa único analista com recomendação negativa para a empresa
Carla Pedro 11 de agosto de 2016 às 19:59

A Pax Global Technology, sedeada em Hong Kong, divulgou na terça-feira as suas contas semestrais, reportando um ligeiro aumento dos lucros. Em seguida, deu uma conferência para explicar os seus resultados. Mas o CFO, Chris Lee, não gostou de ver na sala um analista da Macquarie, Timothy Lam, tendo-lhe exigido que saísse.

 

Lam iniciou a cobertura desta empresa em Abril passado com uma recomendação de 'underweight' [o que significa que esperava um desempenho inferior ao do mercado, no seu ramo de actuação], sendo o único dos 17 analistas que seguia a empresa que tinha naquela altura uma perspectiva pessimista para a fornecedora de sistemas de pagamentos electrónicos.

 

No entanto, Lee – que esta quinta-feira disse lamentar a reacção que teve, sublinhando que esta não reflectiu a posição da administração da empresa – afirmou que a Pax acolhe bem "todos os pontos de vista" e que não foi a recomendação de 'underweight' que o fez expulsar o analista. A decisão, explicou, teve a ver com o facto de Lam não ter sido convidado – e isto porque a empresa não concordou com partes da sua análise.

No vídeo que foi gravado, e que rapidamente começou a circular nas redes sociais, Lee diz a Lam que tem de sair imediatamente. "Você não faz o seu trabalho. Você não fez o seu trabalho. Saia", ordenou o CFO, citado pela Fortune.

 

A Fortune refere ainda que, aquando deste "briefing", Lam tinha já uma recomendação de 'vender' para a Pax – sendo o único analista a fazê-lo, segundo a compilação da Thomson Reuters.

 

Já Lam, depois deste episódio, publicou um novo "research", intitulado 'Asked to leave the meeting', no qual mantém a recomendação mas sobe o preço alvo (para 10 cêntimos por acção), referindo que qualquer analista deve poder estar presente nos "briefings" sobre as contas, independentemente da opinião que tenha sobre a empresa. 

 

Ryan Roberts, analista da MCM Partners, também sedeada em Hong Kong, comentou à Bloomberg que "se uma pessoa com este temperamento está à frente do departamento financeiro, que é um dos mais importantes de uma empresa, então talvez isso suscite questões sobre a forma como o departamento é gerido".

 

Uma outra casa de investimento também reagiu a este incidente, dando uma "nota negativa" à Pax. O Nomura Holdings reviu em baixa a sua recomendação para a empresa, de ‘neutral’ para ‘reduzir’,  num relatório intitulado "Conduta de CFO perturba valor accionista".

 

Resultado: as acções da Pax fecharam esta quinta-feira a cair 2,1%, naquele que foi o maior recuo do último mês. 




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