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Corte das rendas na energia é “negativo” para EDP e acções caem em bolsa

Os títulos em bolsa da eléctrica nacional seguem em mínimos de Agosto depois do anúncio de uma redução das rendas na energia. Apesar da ausência de pormenores, os analistas olham com pessimismo para esta intenção.

Pedro Elias/Jornal de Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 04 de Outubro de 2013 às 09:39

“As chamadas rendas de produtores de energia serão diminuídas”. Paulo Portas afirmou-o na conferência de imprensa sobre as oitava e nona avaliações da troika. As empresas energéticas serão penalizadas por isso, consideram os analistas. A medida será detalhada esta sexta-feira pelo Governo.

 

O analista do BES Investimento, Nuno Estácio, comenta na nota diária de avaliação de empresas cotadas que esta eventual taxa tem um impacto “potencialmente negativo” para as empresas como a EDP, EDP Renováveis, Portucel, Semapa, Altri e, eventualmente, a Galp, embora a última possa ter um impacto muito mais limitado”. Contudo, alerta o especialista, “não é possível quantificar se o impacto será, ou não, significativo”.

 

Não foram dados mais detalhes sobre esta medida. O único pormenor avançado pelo secretário de Estado Carlos Moeda é o de que a medida foi desenhada “de forma a que não afecte o preço final no que se refere à electricidade”. A apresentação acontecerá esta sexta-feira.

Eduardo Catroga, presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, fez na quinta-feira declarações a vários jornais para criticar esta medida, alertando que o Estado português não pode alterar os “pressupostos” com que concretizou a venda de 21,35% da eléctrica nacional aos chineses da Three Gorges. Isso iria colocar em causa “a sua credibilidade junto dos investidores internacionais”, disse ao Negócios. A acontecer uma taxa, o Governo pode ser acusado de “vender gato por lebre”.

 

Especificamente sobre a EDP, outros analistas do BES Investimento, Fernando García e Felipe Echevarría, partilham da opinião que a empresa liderada por António Mexia enfrenta um impacto “potencialmente negativo”. Para os especialistas, esta redução das rendas, apesar de ainda não estar detalhada, junta-se a “outros riscos”, já que poderá haver alterações nos pagamentos dos CMEC (Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual) e a extensão das concessões das barragens nacionais - mudanças que têm feito com que a guerra entre o Governo e a EDP esteja a subir de tom.

 

Taxa levará a redução do preço-alvo

 

O BPI Equity Research, igualmente na sua nota diária, deixa comentários sobre esta notícia dada por Portas na conferência de imprensa em que foi anunciado que Portugal passou nas oitava e nona avaliações da troika. Avaliar o impacto da medida é difícil, dado que não há dados nem se sabe em que actividades terá impacto. “Regime especial, liberalizado, CMEC?”, pergunta a equipa liderada por Bruno Silva, que, para fazer uma avaliação, faz uma comparação com o exemplo espanhol, onde há uma taxa sobre as receitas geradas pelas empresas.

 

“Acreditamos que uma taxa de 7% a afectar todas as actividades, como no caso espanhol, será um cenário algo agressivo, nomeadamente tendo em conta como iria afectar os retornos no regime especial, o contrato bilateral para os CMEC existente entre a EDP e o Estado e o impacto que tal taxa teria nos preços da energia”, comenta.

 

Assumindo uma taxa de 7%, a casa de investimento do BPI fala num impacto de 14% no “target” de 2,80 euros e nas estimativas de resultados do próximo ano. A recomendação permanece “neutral”. A EDP Renováveis sofreria um impacto de 5% sobre o “target” de 4,95 euros.

 

EDP em mínimos de Agosto

 

Na sessão bolsista desta sexta-feira, a EDP segue a cair 1,30% para negociar nos 2,655 euros, a cotação mais baixa desde finais de Agosto.


A Renováveis soma uns ligeiros 0,16% para os 3,795 euros, sendo que Altri, Portucel e Semapa marcam valorizações inferiores a 0,20%.

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

 

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