Research Haitong: BCP precisaria de 4,6 mil milhões de euros para comprar Novo Banco

Haitong: BCP precisaria de 4,6 mil milhões de euros para comprar Novo Banco

Para entrar na corrida ao banco saído da resolução do BES, o BCP precisaria de um aumento de capital de 3,85 mil milhões de euros, além do pagamento de 750 milhões de euros ao Estado, calcula o Haitong.
Haitong: BCP precisaria de 4,6 mil milhões de euros para comprar Novo Banco
Bruno Simão/Negócios
Vera Ramalhete 30 de março de 2016 às 12:52

O BCP está a estudar alternativas para entrar na corrida ao Novo Banco. O Haitong considera que é improvável que esta aquisição se concretize, estimando que o banco liderado por Nuno Amado precisaria de um aumento de capital de 3,85 mil milhões de euros, além dos 750 milhões de euros que teria que devolver ao Estado para poder entrar na corrida. O total representa quase duas vezes a capitalização bolsista do BCP, nota o banco de investimento.

"Compreendemos que a direcção precise de analisar a venda do Novo Banco uma vez que irá afectar significativamente o enquadramento competitivo em Portugal", escrevem os analistas do Haitong no comentário diário para investidores desta quarta-feira. "Contudo, consideramos que esta aquisição é improvável devido ao aumento de capital significativo que a instituição precisaria de fazer para isso", destacam Carlos Cobo e Juan Carlos Calvo.

Para manter o rácio CET 1 nos actuais 10,2%, o banco precisaria de um aumento de capital de 3,85 mil milhões de euros, calcula o Haitong. Um valor a adicionar ao reembolso de 750 milhões de euros de ajuda do Estado, totalizando 4,6 mil milhões de euros. O que representa 1,9 vezes o actual valor do BCP em bolsa, realçam os analistas.

O Haitong considera ainda que a Sonangol e o Sabadell podem não estar interessados nesta operação. E uma fusão dos bancos, mantendo o Fundo de Resolução como accionista, "não seria favorecida pelo BCP, nem pelos reguladores, uma vez que não diminuiria o controlo do Estado no sistema bancário português", diz o Haitong.

Além de considerar que a aquisição é difícil de concretizar, o banco diz ainda que "os investidores reagiram de forma cautelosa devido ao risco significativo na execução da integração". Mas, o BCP "iria beneficiar de importantes sinergias e de um aumento do poder na fixação dos preços" se efectuasse este movimento de consolidação, admite.

As acções do BCP estão a cair 1,00% para 3,95 cêntimos esta quarta-feira, após a queda de 6,86% registada na sessão anterior, após anunciar que pretende efectuar uma reconversão das acções - fundindo 193 títulos num. 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.




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