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Haitong: Proposta para fim do limite de votos no BPI pode ser forma de pressionar Isabel dos Santos

Os analistas do Haitong dizem que proposta de desblindagem pode ser para “colocar pressão sobre Isabel dos Santos para aceitar a cisão do negócio africano ou para vender a sua participação no BPI ao Caixabank.

Miguel Baltazar/Negócios
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 05 de Fevereiro de 2016 às 10:28
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O BPI anunciou a intenção de convocar uma assembleia-geral para votar uma proposta de fim do limite de votos que existe no banco e que dá poder de veto a Isabel dos Santos nas principais decisões estratégicas. A iniciativa foi aprovada pelo conselho de administração, com dois votos contra, na sequência de uma proposta da comissão executiva liderada por Fernando Ulrich, refere o banco em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), esta quinta-feira, 4 de Fevereiro. A instituição justifica esta iniciativa com a necessidade de "dispor de todos os instrumentos possíveis para lidar com os desafios" que se colocam ao sector.

A opinião dos analistas do Haitong, expressa numa nota de análise a que o Negócios teve acesso, é de "neutral a positiva". Os especialistas salientam que "não é claro" por que motivo está novamente a ser apresentada uma proposta de retirada dos limites aos direitos de voto. Uma medida que, recordam, foi já rejeitada em Junho passado e que "provavelmente vai receber o mesmo resultado novamente".

"Num contexto de crescente dificuldade do BPI resolver [a questão] do risco de concentração em Angola, isto pode ser uma forma de mostrar que o apoio da administração e da assembleia-geral a Isabel dos Santos está a diminuir. Pode também colocar pressão em Isabel dos Santos para aceitar uma cisão do negócio africano ou para vender a sua participação no BPI ao Caixabank", escrevem os analistas na nota de análise.

É ainda admitida a possibilidade de, caso "um número suficiente de accionistas apoiar o Caixabank e retirar o limite aos direitos de voto, [isso] poderá ser um catalisador positivo para a acção". "Achamos que pode reabrir a possibilidade do Caixabank relançar uma oferta sobre o BPI", acrescentam.

Salientando que são claras as divergências entre os principais accionistas do BPI relativamente ao futuro do banco, os analistas apontam ainda que quanto mais se prolongar essa situação "mais repercussões negativas" isso vai ter no foco estratégico e da gestão do banco. "Em particular, o BPI está a ficar sem tempo para encontrar uma solução para o risco angolano como é exigido pelo BCE. A data limite é pouco depois de Março de 2016 e o BPI pode enfrentar penalizações regulatórias se falhar" este limite, dizem ainda.

Para o CaixaBI, numa nota de análise a que o Negócios teve acesso, esta proposta para o fim do limite de votos "tenderia a criar maiores condições para a participação do BPI em futuros movimentos de alteração do enquadramento competitivo" que possam vir a ter lugar na banca nacional.

Nesse sentido, "esta proposta seria potencialmente positiva para acções do banco face ao carácter especulativo introduzido no ‘investment case’ do banco". "Salientamos, no entanto, que a aprovação da mesma nos parece improvável nesta fase", dizem os analistas.

Por esta altura as acções do BPI sobem 9% para 1,02 euros.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

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