Research JPMorgan quantifica escassez de provisões no BCP em 1,3 mil milhões

JPMorgan quantifica escassez de provisões no BCP em 1,3 mil milhões

Para colocar o nível de cobertura do crédito mal parado em níveis adequados, o JPMorgan refere que o BCP terá de reforçar as provisões. Os bancos italianos são os que ficam pior na fotografia.
JPMorgan quantifica escassez de provisões no BCP em 1,3 mil milhões
Bruno Simão
Nuno Carregueiro 06 de setembro de 2016 às 14:15

O JPMorgan tem uma visão pouco optimista para os bancos europeus, assinalando que nesta altura têm mais semelhanças com o sector no Japão do que nos Estados Unidos.

 

Uma das áreas onde os bancos europeus estão mais atrasados é na cobertura do crédito malparado, refere o JPMorgan, realçando que apesar de o sector financeiro europeu ter nos últimos anos acelerado a limpeza dos balanços, está ainda "atrás da curva" quando comparado com o Japão e os EUA.

  

Oito anos depois do início da crise financeira, o crédito de cobrança duvidosa (NPL, na sigla em inglês) representa em média cerca de 6% do crédito concedido na Europa. Um rácio que compara com níveis inferiores a 2% nos EUA e no Japão, refere o JPMorgan.   

 

Para aumentar os níveis de cobertura do crédito malparado para 60%, tal como se verifica nos EUA e Japão, o banco norte-americano quantifica uma escassez de capital de 25 mil milhões de euros nos bancos europeus.

 

A grande fatia deste total é da responsabilidade dos bancos italianos, que enfrentam uma escassez de capital de 21 mil milhões de euros de modo a reforçarem as provisões para fazer face ao crédito de má qualidade.

 

"Acreditamos que é fundamental encontrar um preço para o crédito malparado e efectuar provisões para níveis em redor de 55% a 60%, de modo a acelerar a limpeza dos balanços dos bancos, dado que a recuperação económica é frágil e a rentabilidade dos bancos já está a ser penalizada pelas taxas negativas", refere o "research" do banco, a que o Negócios teve acesso.

 

O JPMorgan assinala que o problema da qualidade dos activos da banca europeia está concentrado sobretudo em Itália, Espanha, Portugal e Irlanda, representando mais de metade do total que ascende a cerca de 700 mil milhões euros.  

 

Entre os bancos europeus cotados, o JPMorgan identificou 14 onde o crédito malparado é superior a 5%. Oito são italianos, quatro espanhóis e Bank of Ireland e o BCP.

 

Os bancos espanhóis enfrentam uma escassez de capital de 2 mil milhões de euros (sobretudo o CaixaBanl e o Popular), o Bank of Ireland 572 milhões de euros e o BCP 1,294 mil milhões de euros.

 

Para o banco português o JPMorgan estima em 2018 um total de crédito mal parado de 10,4 mil milhões de euros, o que representa 22% do total concedido. Com provisões inferiores a 5 mil milhões de euros, o BCP apresentará um nível de cobertura de 47,6%, um dos mais baixos entre os bancos europeus.

 

Para colocar este nível de cobertura em 55% o BCP teria de reforçar as provisões em 772 milhões de euros, o que teria um impacto de 1,58% no rácio de capital. Para chegar aos 60% seriam necessários 1,294 mil milhões de euros e 1,81 mil milhões de euros para atingir os 65%.

 

Na última apresentação de resultados, o BCP identifica várias das medidas que está a pôr em prática para reduzir o crédito malparado, como a "aceleração dos write-offs; vendas de crédito, principalmente de créditos a empresas fortemente colateralizados e de créditos a particulares com baixa probabilidade de recuperação; evitar que os créditos hipotecários cheguem à resolução judicial, e redução do tempo de recuperação dos casos nas mãos de escritórios de advogados".

 

Neste relatório do JPMorgan não revela qual a recomendação e preço-alvo para o BCP. As acções do banco português seguem inalteradas nos 1,85 cêntimos.

 

O banco norte-americano identifica os bancos preferidos na Europa: Danske Bank, Swedbank, Natixis, Santander, Standard Chartered e Erste.

 


Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.




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