Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Metade das recomendações são para "comprar". CTT, Galp e Nos são as preferidas

A divergência entre os conselhos para "comprar" e para "vender" agravou-se no ano passado. A maioria das recomendações continua a ser para apostar nos títulos, revela o relatório do supervisor.

Miguel Baltazar/Negócios
Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 19 de Maio de 2016 às 20:03
  • Assine já 1€/1 mês
  • 4
  • ...

"Comprar". Esta é a recomendação mais frequente na bolsa nacional. Do total de recomendações emitidas entre Outubro de 2014 e Setembro de 2015, 48% são neste sentido. Além disso, 37% das recomendações são de "manter" e 14,3% de "vender", revela o Relatório Anual da Actividade de Supervisão de Análise Financeira, publicado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), esta quinta-feira.

"Tal como em anos anteriores, os intermediários financeiros emitiram maioritariamente recomendações de compra, que corresponderam a 48,0% do total de recomendações identificadas (43,3% no relatório anterior)", revela o relatório do regulador liderado por Carlos Tavares.


O regulador destaca ainda o desequilíbrio entre o número de recomendações de "comprar" (48%) e de "vender" (14,3%) que é superior ao que se verificava no ano passado. Em 2014, 43% dos "ratings" eram de "comprar" e 22,8% eram de "vender". "Em Setembro de 2015 foi atingida a diferença máxima entre o peso das recomendações de venda e de compra (60,0 p.p.), e em Outubro de 2014 verificou-se a menor diferença (4,0 p.p.)", frisa a CMVM.


Na análise efectuada entre Outubro de 2014 e Setembro de 2015, o supervisor constatou também a preferência dos anistas por empresa. "As acções emitidas por CTT, Galp Energia e Nos apresentam uma maior percentagem de recomendações de compra face às de venda, mas o oposto sucede relativamente às acções do BPI e da EDP", acrescenta a CMVM.


Por outro lado, Cofina, Corticeira Amorim, Ibersol, Impresa, Mota Engil, Sonae, Sonae Capital e Sonaecom não tiveram nenhuma recomendação para "vender". Em sentido inverso, a Pharol não foi alvo de nenhum conselho para "comprar". 


Analistas nacionais mais optimistas

Em linha com as conclusões de anos anteriores, os analistas nacionais acabaram por se revelar, em média, mais optimistas do que os estrangeiros no que diz respeito ao desempenho das cotadas nacionais. "O BPI, Caixa BI e Haitong apresentaram um maior desequilíbrio entre a percentagem de recomendações de compra e a de venda, enquanto a Goldman Sachs e o Deutsche Bank tiveram mais recomendações de venda do que de compra", explica a CMVM que frisa que Caixa BI, Citigroup e Haitong não apresentaram qualquer recomendação de "vender".

Paralelamente, os analistas acabaram por se revelar conservadores no que diz respeito à alteração das recomendações, tendo em conta que foram poucas as situações em que o conselho de investimento foi revertido.

Deste modo, houve equilíbrio nas revisões de recomendações, passando de compra para manter, de manter para venda, de venda para manter e de manter para compra. Mas foi o Caixa BI que reviu o teor das recomendações com maior frequência (41,7% do total das recomendações).


O supervisor explica que as recomendações apresentadas por analistas nacionais têm uma mediana em termos de potencial de valorização de 19,9%, o que compara com 10,7% dos estrangeiros. "O mesmo não sucedeu relativamente à mediana da variação dos preço-alvo, igual para intermediários financeiros nacionais e estrangeiros (1,5%)", frisa.


"Comprar" tem mais impacto? Não

Ainda que metade das recomendações sejam para "comprar", estas não têm mais impacto. "As recomendações de compra (venda) são seguidas de retornos anormais acumulados positivos (negativos) e de retornos efectivos acumulados positivos (negativos)", adianta a CMVM.


O regulador analisou o impacto das recomendações de investimento, entre Outubro de 2009 e Setembro de 2015, não tendo sido identificadas grandes divergências. "Quando consideradas todas as observações, verificam-se retornos anormais acumulados médios de 0,70% (-2,13%) entre a data da divulgação das recomendações de compra (venda) e a sessão de negociação seguinte", diz a CMVM.


Já no caso das recomendações de venda, há uma redução "mais acentuada" dos retornos anormais acumulados. "A título exemplificativo, os retornos anormais acumulados médios associados a recomendações de venda atingem -4,07% quando consideradas as sete sessões de negociação subsequentes à divulgação do relatório de análise financeira", conclui.

Ver comentários
Saber mais Relatório Anual da Actividade de Supervisão de Análise Comissão do Mercado de Valores Mobiliários CMVM Carlos Tavares CTT Galp Energia BPI EDP Cofina analistas intermediários financeiros
Outras Notícias