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Rácios de capital e exposição à Polónia do BCP preocupam analistas

Os resultados do Banco Comercial Português (BCP) ficaram praticamente em linha com as estimativas dos analistas que, entre as preocupações com o banco destacam os seus rácios de capital e a exposição ao mercado polaco. O Espírito Santo Research (ESR) vai revisitar as estimativas e avaliação para o banco enquanto o Caixa BI destaca que o reforço dos rácios de capitais é algo a concretizar este ano.

Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 18 de Fevereiro de 2009 às 10:30
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Os resultados do Banco Comercial Português (BCP) ficaram praticamente em linha com as estimativas dos analistas que, entre as preocupações com o banco destacam os seus rácios de capital e a exposição ao mercado polaco. O Espírito Santo Research (ESR) vai revisitar as estimativas e avaliação para o banco enquanto o Caixa BI destaca que o reforço dos rácios de capitais é algo a concretizar este ano.

O BCP anunciou ontem que obteve um resultado líquido de 201,2 milhões de euros em 2008, um valor que representa uma quebra de 64,3% face ao obtido em 2007 e que ficou em linha com o estimado pelos analistas. As perdas relacionadas com a participação no BPI, que atingiram 232,6 milhões de euros, explicam parte da quebra.

KBW destaca “fracos” rácios de capital e exposição à Polónia

A equipa de “research” do Keefe, Bruyette & Woods (KBW) considerava, numa nota de investimento divulgada ontem, que os “fracos” rácios de capital e a exposição à Polónia continuam a ser preocupações-chave relativamente ao BCP. A casa de investimento frisa que os resultados registados pelo banco ficaram “em linhas gerais” em linha com as suas estimativas.

A equipa de analistas liderada por António Ramirez acrescenta que o BCP anunciou “um fraco core Tier 1 de 5,8%” e provisões e outras imparidades “muito mais elevadas do que o esperado, na nossa opinião, parcialmente relacionadas com a acentuada depreciação do zloty no quarto trimestre”.

A casa de investimento frisa que o “BCP beneficiou da alteração nas regras de contabilidade em Portugal”, pelo que as perdas calculadas em 2008 serão diferidas gradualmente até 2012. “Isto significou um impacto de 293 milhões de euros relacionado com o fundo de pensões em 2008, com uma amortização anual de 134 milhões de euros nos próximos quatro anos”, refere o KBW.

O KBW atribui ao maior banco privado nacional um preço-alvo de 0,90 euros por acção e uma recomendação de “underperform”.

ESR alerta para riscos à qualidade de activos

O Espírito Santo Research (ESR) aponta “a qualidade de activos como um dos principais itens a monitorar daqui para a frente, particularmente tendo em conta o agravamento das perspectivas macroeconómicas em Portugal (e no estrangeiro)”. O banco qualifica o conjunto de números apresentados pelo BCP de “relativamente neutrais”. Como positivo, o ESR destaca o “bom” desempenho em termos de custos.

“Pensamos que o mercado vai continuar consciente quanto à posição de solvência do BCP, à evolução do seu fundo de pensões daqui para a frente bem como ao aumento dos riscos à qualidade de activos no mercado doméstico e no estrangeiro”, refere o ESR que acrescenta que vai revisitar os números e avaliação para o BCP após estes resultados.

O banco de investimento tem um “rating” de “neutral” para as acções do banco que avalia em 1,00 euro.

Caixa BI considera reforço dos rácios de capital uma realidade a concretizar este ano

Já o analista André Rodrigues do Caixa BI avança que “de uma maneira geral, os resultados apresentados não surpreendem”. “No que se refere aos rácios de capital, e apesar do aumento de capital de 1,3 mil milhões de euros efectuado em 2008 consideramos que existem alguns focos de pressão”, acrescenta o analista do Caixa BI.

O banco de investimento sublinha que o fundo de pensões do BCP “coloca ainda maior risco nesta matéria na medida em que o banco apresenta já um total de desvios actuariais negativos fora do corredor de 1,6 mil milhões de euros”.

“Julgamos compreensível a gestão do processo de reforço dos rácios de solvabilidade apresentada pelo BCP numa conjuntura em que muitos dos seus principais accionistas poderiam ter dificuldades em acompanhar um (eventual) aumento de capital com emissão de novas acções”, adianta André Rodrigues que ressalva que “fica todavia claro que (...) o reforço dos rácios de capital do BCP é uma realidade a concretizar durante o ano de 2009”.

O analista chama também a atenção para a “degradação acentuada” das condições macroeconómicas na Europa de Leste que “poderão vir a influenciar de forma significativa a actividade do Bank Millennium (Polónia)”, um dos assuntos mais sensíveis em relação à actividade do banco no futuro.

O analista André Rodrigues avalia as acções do banco liderado em 1,40 euros, sendo a recomendação de “comprar”.

As acções do banco seguiam a descer 1,38% para os 0,715 euros, depois de terem iniciado a sessão a subir 0,69%. Na sessão de ontem, o BCP desvalorizou mais de 6%.




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