Câmbios CEO da Swatch diz que a Suíça está perante um "tsunami"

CEO da Swatch diz que a Suíça está perante um "tsunami"

Grandes exportadores estão alarmados com o impacto da decisão do banco central suíço de deixar de assegurar uma paridade mínima da moeda nacional com o euro. Ao longo da manhã, o franco suíço valorizou quase 30%. Em contrapartida, a bolsa afundou mais de 10%.
CEO da Swatch diz que a Suíça está perante um "tsunami"
Negócios 15 de janeiro de 2015 às 13:47

Nick Hayek, o CEO da relojeira Swatch, criticou ferozmente a decisão do banco central suíço (SNB) de abandonar uma política que garantia, desde 2011, uma paridade mínima entre a moeda nacional e o euro, considerando que os seus efeitos sobre a economia helvética serão tão devastadores como um "tsunami".


"Não tenho palavras. Jordan (Jordão) não é apenas o nome do presidente do banco central mas também de um rio e a decisão de hoje é um tsunami para a indústria exportadora e para o turismo e, no fim da linha, para todo o país", afirmou em comunicado, citado pelo The Guardian.

 

A decisão Thomas Jordan gerou uma queda generalizada na bolsa suíça, estando as companhias exportadoras e financeiras, as mais penalizadas com a subida do franco, a ser as mais castigadas.

 

Na banca, o UBS afunda 13,6%, o Julius Baer desvaloriza 13,43% e o Credit Suisse desce 12,88%. Entre as exportadoras destaca-se a Swatch, com as acções da fabricante de relógios a cair 13,09%. A farmacêutica Novartis e a cimenteira Holcim também caem mais de 10%.

 

O "chief investment office" do UBS já antecipou que esta decisão do banco central terá um "grande" impacto na economia suíça. Estimou um impacto de 5 mil milhões de francos suíços, o equivalente a 0,7% do PIB do país.

 

O banco central definiu em 2011 que a moeda do país deveria ter um câmbio mínimo de 1,20 francos suíços por euro, com o objectivo de proteger a economia suíça da turbulência originada com a crise da dívida soberana da Zona Euro e que gerou uma grande pressão de valorização sobre a moeda helvética, considerada activo de refúgio.

 

Mas a política de manutenção de um franco mais baixo, e logo mais competitivo, terá custado ao banco central 200 mil milhões de dólares só em 2012, ou seja, as intervenções no mercado cambial para travar a subida do franco custaram nesse ano quase o equivalente ao PIB português.

 

Agora, perante a tendência de desvalorização do euro e a expectativa de mais quedas devido ao programa de compra de dívida pública que o BCE deverá anunciar na próxima semana, o banco central desistiu de manter essa ligação do franco ao euro.




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