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Escalada do euro é novo desafio para o BCE na retoma económica

O euro tocou em máximos contra o dólar na passada terça-feira, fazendo soar os alarmes no seio do BCE. Instituição diz-se atenta.

Bloomberg
Bloomberg 05 de Setembro de 2020 às 14:00
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A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, tem um novo desafio com que se preocupar, além da frágil recuperação económica e recente deflação: a valorização da moeda única.

O euro deu um salto de 12% em apenas cinco meses desde o início das paralisações causadas pelo coronavírus, tendo ultrapassado 1,20 dólares na terça-feira passada, pela primeira vez em mais de dois anos. Os investidores antecipam que mais ganhos podem estar por vir e o BCE mostra-se atento. 

"A taxa euro-dólar é importante", disse o economista-chefe do BCE, Philip Lane, o que levou a moeda única a reduzir os ganhos. 

O máximo do euro é apenas parte de uma tendência mais ampla da fraqueza do dólar, o que levou a moeda norte-americana a mínimos em relação a um cabaz de moedas rivais, em mais de dois anos. Mas a união monetária europeia de 19 países está particularmente exposta por causa da sua dependência relativamente grande das exportações e longo histórico de inflação fraca.

Uma moeda mais forte torna as exportações menos competitivas e deprime a subida dos preços ao deixar as importações mais baratas. A rápida valorização cambial foi muitas vezes motivo para o ex-presidente do BCE, Mario Draghi, expressar a sua preocupação. 

Agora, a sua sucessora terá de decidir se deseja implantar uma tática semelhante. A sua posição poderá ser revelada na conferência de imprensa após a próxima reunião de política em 10 de setembro, quando Lagarde também divulgará novas previsões económicas. 

Linha vermelha
"A barreira de 1,20 dólares para o euro é uma espécie de linha vermelha", disse Katharina Utermoehl, economista sénior da Allianz, alegando que "neste momento, não há realmente muito que o BCE possa fazer além de tentar minimizar a moeda, destacando a persistente incerteza económica, enquanto mantém a porta aberta para um novo aumento das compras de ativos no final do ano".

A gravidade da situação ficou evidente na terça-feira, quando os dados recentes mostraram que a inflação na Zona Euro ficou negativa pela primeira vez em quatro anos.

"O euro mais forte é claramente um fardo adicional para os exportadores, mas muito mais importante é que a procura global está, em geral, muito baixa", disse Olaf Wortmann, economista da Associação da Indústria de Engenharia Mecânica (VDMA), da Alemanha.

Isabel Schnabel, que faz parte do Conselho do BCE e é responsável pelas operações de mercado, disse nesta semana que as autoridades estão a acompanhar a evolução do câmbio.

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