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Euro ultrapassa os 1,11 dólares após abrandamento da economia dos Estados Unidos

A moeda única europeia segue a valorizar mais de 1,5% face ao dólar, tendo mesmo ultrapassado a barreira dos 1,11 dólares pela primeira vez desde o dia 5 de Março, beneficiando do arrefecimento da maior economia mundial cujo PIB no primeiro trimestre ficou muito aquém das estimativas.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 29 de Abril de 2015 às 17:02
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O euro segue a valorizar 1,54% para 1,1151 dólares norte-americanos, o que representa um máximo de 4 de Março e se assume como a primeira vez, desde esse dia, em que a moeda europeia transacciona nos mercados cambiais, acima da barreira dos 1,11 dólares.

 

Esta quarta-feira, 29 de Abril, é já o quinto dia consecutivo em que o euro segue a valorizar face à moeda norte-americana, mas é o primeiro em que avança mais de 1%, numa sessão em que chegou mesmo a valorizar 1,79% para os 1,1178 dólares.

 

Este comportamento da moeda única europeia verifica-se no dia em que o Departamento do Comércio norte-americano divulgou que o produto interno bruto (PIB) da maior economia mundial cresceu apenas 0,2% no primeiro trimestre deste ano, comparativamente com igual período do ano passado.

 

Depois da expansão homóloga de 2,2% registada nos últimos três meses de 2014, o crescimento de 0,2% ficou bem abaixo do avanço de 1% antecipado pelos economistas consultados pela agência Bloomberg.

 

Perante a menor robustez da recuperação da maior economia mundial, os investidores resguardam-se no euro precisamente numa altura em que o Banco Central Europeu (BCE) mantém um programa mensal de compra de 60 mil milhões de dívida pública e privada.

 

Num momento em que a Reserva Federal já terminou o programa de "quantitative easing" e em que estuda a melhor altura para decretar o primeiro aumento dos juros desde 2006, que segundo os economistas deverá ser adiado de Junho para Setembro em virtude do crescimento abaixo das expectativas do PIB no primeiro trimestre, o BCE e, por exemplo, os bancos centrais do Japão e da China estão a apostar na adopção de medidas acomodatícias.

 

Como tal, a postura assumida pela Fed surge em contraciclo face às suas principais congéneres, sendo que a disparidade de políticas das autoridades monetárias parece estar agora a beneficiar o euro.

 

Outro dado que poderá estar a contribuir para que o euro recolha maior confiança por parte dos investidores é a situação na Grécia. Atenas deverá apresentar, ainda esta quarta-feira, um conjunto de propostas aos credores.

 

As instituições credoras terão assim a oportunidade de analisar as reformas que a Grécia se propõe implementar de forma a garantir um acordo final até à data assinalada como limite, 11 de Maio, precisamente na véspera do reembolso de cerca de 770 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (BCE).

 

A maior flexibilidade negocial assumida pela Grécia acontece depois de o primeiro-ministro Alexis Tsipras ter decidido remodelar a equipa grega responsável por conduzir as negociações com os parceiros, retirando poderes ao ministro das Finanças, Yanis Varoufakis. No domingo passado, Tsipras e a chanceler alemã, Angela Merkel, acordaram manter doravante um contacto directo e regular de forma a facilitar a resolução de eventuais obstáculos que surjam nas negociações ao nível mais técnico.

 

Também esta quarta-feira, o BCE decidiu aprovar o aumento da linha de emergência de liquidez (programa ELA) da banca grega para os 79,6 mil milhões de euros.

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