Câmbios Não se pode excluir uma "guerra fria cambial", avisa Pimco

Não se pode excluir uma "guerra fria cambial", avisa Pimco

Os analistas temem que à guerra comercial se siga uma guerra cambial. Donald Trump tem atacado tanto a Europa como a China nessa frente.
Não se pode excluir uma "guerra fria cambial", avisa Pimco
Bloomberg
Negócios com Bloomberg 15 de julho de 2019 às 10:41
Não se pode excluir o cenário de uma verdadeira guerra cambial em que os principais bancos centrais e governos, incluindo os Estados Unidos, enfraquecem deliberadamente as suas divisas. O aviso é do conselheiro económico da gestora norte-americana de ativos Pimco (Pacific Investment Management), Joachim Fels, citado pela Bloomberg. 

"Após uma pausa desde o início de 2018, a guerra fria cambial que tem estado a pairar entre os maiores blocos comerciais do mundo por mais de cinco anos está a deflagrar outra vez", avisa o analista da Pimco. 

Para Joachim Fels, as condições atuais representam a "terceira ronda" de uma "guerra fria cambial" que está em risco de se agravar. Apesar de achar que esse cenário "não é uma possibilidade de curto-prazo", o analista considera que "não pode ser excluído". 

Este receio é transversal aos analistas que temem que o presidente norte-americano passe da retórica à ação. Donald Trump queixa-se repetidamente das alegadas más práticas de outros países na frente cambial, principalmente a China e a Zona Euro.

"A China e a Europa estão a fazer uma grande manipulação de moeda e a injetar dinheiro nos seus sistemas para competirem com os EUA. Devemos fazer o mesmo ou continuar a ser os bonecos que se encostam e assistem educadamente enquanto os outros países continuam a fazer os seus jogos – como fizeram durante muitos anos!", afirmou o chefe da Casa Branca no início deste mês no Twitter.

O BCE tem refutado as críticas, argumentando que a sua política não é orientada pela taxa de câmbio mas sim pelo objetivo de inflação. No início de 2018Benoit Coeuré afirmou que uma guerra de divisas é "a última coisa que o mundo precisa".    

Internamente, Trump também tem criticado duramente a Reserva Federal norte-americana pela sua inação. As suas palavras deixam asas à interpretação de que pretende ter um dólar mais fraco para dar vantagem competitiva às exportações norte-americanas, uma vontade já expressa pelo seu secretário do Tesouro. 

Foram os sinais de que o Banco Central Europeu (BCE), o Banco da China e o Banco do Japão vão adotar uma política monetária ainda mais acomodatícia a "inflamar" as tensões cambiais. Esta fricção prolonga-se até à Coreia do Sul, a Indonésia, o Chile ou a África do Sul cujos bancos centrais se reúnem esta semana. 

"Só a ameaça da venda imediata de dólares, em conjunto com as contínuas intervenções verbais e de tweets da política do dólar fraco, e, mais importante, o aligeirar da política monetária pela Fed, pode levar a isso [ao enfraquecimento do dólar]", antecipa Joachim Fels.

Segundo a Bloomberg, a última vez que os EUA intervieram nos mercados das divisas foi em 2011, altura em que se uniram com outros países após o yen ter disparado na sequência do sismo no Japão.



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