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O que explica a inesperada força do euro? Maus dados nos EUA, diz o Natixis

A divergência entre as políticas monetárias dos EUA e da Zona Euro fazia antever uma fraqueza do euro. Mas só na última semana, a moeda única ganhou mais de 3% face à "nota verde".

Bloomberg
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 08 de Fevereiro de 2016 às 10:25
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A moeda única está a mostrar sinais de força no mercado que não eram antecipados pela maior parte dos bancos de investimento. Na semana passada, o euro ganhou 3,02% face ao dólar, a maior valorização semanal desde Março. Esta segunda-feira, no entanto, alivia alguns dos ganhos, cedendo 0,45%.

O euro negoceia em 1,1158 dólares, apesar de se admitir no mercado uma queda até à paridade. Mas o que explica esta força da moeda única? "O dólar corrigiu de forma significativa em reacção alguns indicadores macroeconómico fracos nos EUA", respondem os analistas do Natixis, numa nota de investimento a que o Negócios teve acesso.

Na semana passada, os dados sobre o sector dos serviços na maior economia do mundo desapontaram o mercado, o que levou a um ajustamento das expectativas sobre as subidas de taxa de juro nos EUA. "Isso causou preocupações nos investidores em relação ao crescimento nos EUA", observa o banco de investimento.

A juntar à incerteza sobre o ritmo da recuperação económica nos EUA e sobre os "timings" da Fed no processo de normalização das taxas de juro, o Natixis refere um outro factor que deu gás ao euro: o fecho de posições que existiam no mercado a apostar na queda da moeda única.

Dados do emprego beneficiam dólar

Apesar da fraqueza mostrada pelo dólar nas últimas sessões, os analistas do Natixis esperam que a "nota verde" recupere valor. "A não ser que se antecipe um corte de juros, o dólar norte-americano já não tem potencial de descida, na nossa perspectiva", refere o banco.

E destacam os dados do mercado de trabalho divulgados na passada sexta-feira, como um dos possíveis motores para o dólar. "Sugerem que a Reserva Federal continuará a apertar a política monetária em 2016, ajudando assim o dólar a recuperar", antecipam.

"Os dados do emprego em Janeiro foram encorajadores. Apesar da criação de empregos ter ficado abaixo do esperado (151 mil, abaixo do consenso de 190 mil), foi suficiente para baixar a taxa de desemprego para 4,9%, abrindo caminho para um aumento acima do esperado no salário médio por cada hora de trabalho", rematam.

Recuperação do euro não é sustentável

Já para o euro, o Natixis considera que "a recuperação não aparenta ser sustentável no curto e no médio prazo". Justificam a perspectiva com o facto de o "BCE continuar bastante activo e de ter tornado claro em Janeiro que pretende rever a sua política monetária em Março dada a inflação abaixo do esperado".

O banco de investimento prevê que o "BCE corte a taxa de depósito em 10 pontos base, possivelmente 20 pontos base, e que estenda o programa alargado de compra de activos até Setembro de 2017, medidas que provavelmente penalizarão o euro no médio prazo, mesmo que a Reserva Federal mantenha o 'staus quo' até ao final de 2016".  

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