Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Crédito da casa em máximos de 2008 no primeiro trimestre

A pandemia não teve efeito na concessão de novo crédito nos primeiros três meses do ano, com as novas operações de crédito à habitação a atingirem máximos de 2008.

Os encargos com habitação pesam hoje mais no rendimento das famílias portuguesas do que em 2010.
Sérgio Lemos
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 12 de Maio de 2020 às 11:28
  • Assine já 1€/1 mês
  • 4
  • ...

A concessão de novo crédito para a compra de casa manteve-se em máximos de 2008 nos primeiros três meses do ano, com os bancos a emprestarem mais de 2.800 milhões de euros em crédito à habitação no primeiro trimestre de 2020, segundo avançam os dados do Banco de Portugal divulgados esta terça-feira.

 

As novas operações de crédito à habitação atingiram os 952 milhões de euros em março, acima dos 915 milhões de euros financiados em fevereiro. Contabilizando o período compreendido entre janeiro e março, foram financiados 2.848 milhões de euros em crédito para a compra de casa, o que representa o melhor primeiro trimestre desde 2008, o ano da crise financeira.

Face a igual período do ano passado, o ritmo de concessão de novo crédito para a casa aumentou 21%, face aos 2.349 milhões de euros emprestados no primeiro trimestre de 2019. Estes valores mostram que os bancos continuam a apostar fortemente neste segmento de negócio, apesar de março ter ficado marcado pelo início do confinamento.

 

O inquérito realizado aos bancos divulgado no final de abril já mostrava que o surto da covid-19 ainda não deveria ter impacto na concessão de crédito. "No primeiro trimestre de 2020, os bancos portugueses indicaram que a oferta de crédito a empresas e a particulares permaneceu praticamente inalterada face ao trimestre anterior. No mesmo período, a procura de crédito aumentou ligeiramente no segmento das empresas e reduziu-se ligeiramente no segmento dos particulares", pode ler-se no mais recente inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito.

 

Os meses seguintes deverão, contudo, registar uma travagem, uma vez que a realização de novos contratos ficou paralisada devido às restrições aplicadas para controlar a pandemia. De acordo com o mesmo inquérito realizado junto dos bancos, no segundo trimestre, por um lado, a procura de crédito deverá aumentar do lado das empresas e reduzir-se entre os particulares. Por outro, a banca antecipa restringir os critérios de concessão de crédito no segundo trimestre deste ano.

 

Ao contrário do crédito à habitação, que aumentou face a fevereiro, o crédito ao consumo desceu de 469 para 421 milhões de euros, em março. Face a igual mês de 2019, este financiamento aumentou 8%. No trimestre, foram financiados 1.350 milhões de euros em crédito ao consumo. Já o crédito para outros fins somou 703 milhões de euros.

 

O crédito concedido a sociedades não financeiras também tem vindo a mostrar uma evolução crescente. No primeiro trimestre do ano foram financiados 8.182 milhões de euros em crédito destinado às empresas, um valor que compara com os 7.370 milhões concedidos em igual período do ano passado. Desde 2014 que os bancos não financiavam um valor tão elevado em crédito para as empresas.

Ver comentários
Saber mais crédito à habitação Banco de Portugal financiamento covid-19
Mais lidas
Outras Notícias