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Dívida portuguesa gerou o maior retorno do mundo em Janeiro

Obrigações do Tesouro valorizaram mais de 6% em Janeiro, o que representa a prestação mais elevada em todo o mundo.

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A dívida portuguesa foi a que maiores retornos gerou aos investidores em Janeiro, tendo em conta as rendibilidades das obrigações soberanas de todos os países, que são compiladas pela agência Bloomberg.

 

No mês de Janeiro, a rendibilidade média dos títulos de dívida portugueses com maturidade acima de 1 ano foi de 6,6%. Os retornos foram mais elevados nos prazos mais longos. Para as maturidades entre 7 e 10 anos a rendibilidade média foi de 9,3%, enquanto nos prazos entre 5 e 7 anos o retorno médio foi de 7,68%.

 

Depois de Portugal, no ranking elaborado pela agência de notícias norte-americana, surge o Japão, que ofereceu um retorno médio de 5,66% para os títulos com maturidade acima de 1 ano. A dívida norte-americana (3,36%), do Reino Unido (2,93%) e espanhola (2,79%) surgem nas posições seguintes.

 

Portugal tem surgido no topo deste ranking nos últimos tempos. Em 2012 as obrigações soberanas portuguesas foram as que deram maior retorno aos investidores e no ano passado a dívida portuguesa surgiu em segundo lugar do ranking. Uma prestação que também ajudou a atrair investidores para a dívida portuguesa.

 

A queda das “yields” (que variam em sentido contrário à cotação dos títulos) foi particularmente intensa em Janeiro, com uma redução de mais de 100 pontos base na maturidade a 10 anos. Esta sexta-feira a “yield” fixou-se em 5%, próximo do nível mais reduzido desde Junho.

 

Um movimento que, explicam os analistas, traduz o forte apetite dos investidores por títulos de economias que começam a dar sinais de inversão, como é o caso de Portugal.

 

Mas a descida das “yields” esteve longe de ser um exclusivo de Portugal. A tendência foi geral e os juros da dívida espanhola e italiana caíram mesmo para novos mínimos históricos.

 

A dívida alemã também valorizou, mas o “spread” das obrigações portuguesas voltou a baixar em Janeiro, fixando-se agora nos 335 pontos base.

 

 

Por que descem os juros

Economia a recuperar

Após 10 trimestres de contracção, a economia nacional está a crescer em cadeia há dois trimestres. Ao mesmo tempo, o défice está a baixar, tendo o Governo garantido que o valor de 2013 ficará abaixo do acordado com a troika.

 

Liquidez à margem

"Quando o novo ano começou, algum do dinheiro que estava à margem começou a entrar no mercado", explica Allan von Mehren, do Danske Bank. E essa liquidez tende a ser aplicada onde se observam as melhores oportunidades. A dívida da periferia da Zona Euro destaca-se.

 

Procura por retornos

Num contexto de taxas de juro baixas, os investidores vêem-se forçados a procurar retornos. Na dívida portuguesa há margem para ganhos: "Taxas de 4% a cinco anos e 5% a 10 anos continuam a ser apetitosas", diz David Schnautz. Por isso, há muito dinheiro a voltar, nomeadamente, dos emergentes. O FMI alertou esta terça-feira que as economias emergentes podem ser penalizadas pela fuga de capitais, perante o crescimento das economias desenvolvidas.

 

Único país no "lixo"

Com a decisão da Moody's de aumentar o "rating" à Irlanda, "os investidores podem considerar que o 'negócio da recuperação irlandesa' acabou", diz David Schnautz. "Isto deixa Portugal como um bom nicho, já que é o único país no "lixo" com taxas ainda elevadas e uma história sólida", explica.

 

Curva de rendimentos 

Portugal e Grécia têm as taxas mais elevadas. Mas só Portugal tem uma curva de rendimentos completa (de dois até 10,15 e 30 anos). "Há investidores que têm restrições na maturidade das obrigações", diz David Schnautz. "Mas, mais importante, muitas vezes os investidores procuram fazer transacções ao longo da curva. Por exemplo, um investidor pode 'jogar' na curva de 5 a 10 anos da dívida portuguesa face à de 5 a 10 espanhola", explica.

 

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