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Rublo tomba para mínimo histórico e juros disparam apesar de intervenção do banco central

A moeda russa está em queda acentuada face ao dólar e face ao euro, ofuscando as valorizações registadas já esta manhã. Os juros da dívida pública da Rússia no mercado secundário estão a disparar, em algumas maturidades, 400 pontos base. Esta madrugada, o banco central subiu a taxa de juro de referência para 17%.

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Ruble Weakens to 70 vs. U.S. Dollar for First Time
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 16 de Dezembro de 2014 às 12:46
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O Banco Central da Rússia decidiu, durante a madrugada desta terça-feira, 16 de Dezembro, subir a taxa de juro de referência no país de 10,5% para 17% para travar a queda acentuada da moeda nacional, o rublo. Durante a manhã, a estratégia da autoridade monetária liderada por Elvira Nabiullina (na foto) parecia ter tido resultado: o rublo disparou face às principais divisas. Em relação ao dólar chegou a avançar mais de 9% e face ao euro mais de 10%.

 

No entanto, essa tendência inverteu-se e a divisa tomba novamente fase às principais divisas. Face ao dólar, o rublo cai 8,05% para 1,4 cêntimos de dólar. Durante esta manhã, a moeda russa registou já um novo mínimo histórico face à divisa norte-americana. E em relação ao euro, o rublo perde 12,80% para 1 cêntimo de euro.

 

Os juros da dívida pública russa, no mercado secundário, estão a disparar. A dois anos, de acordo com os dados genéricos da Bloomberg, os juros exigidos pelos investidores para trocarem dívida entre si crescem cerca de 433 pontos base para 18,7085%, a cinco anos avançam pouco mais de 274 pontos base para 16,3103% e a dez anos somam cerca de 234 pontos base para 15,3071%.

 

Com esta evolução nos mercados, o ministro russo das finanças citado pela Reuters, decidiu cancelar a emissão de dívida agendada para esta semana devido "a condições desfavoráveis de mercado".

 

À Bloomberg, Per Hammarlund, estratega-chefe de mercados emergentes da Skandinaviska Enskilda Banken AB, em Estocolmo (Suécia), afirmou que os seus "traders informaram-me que não vemos ofertas para comprar rublos". "Pensava que [uma taxa de juro de referência de] 17% dar-lhe-ia, pelo menos, um mês de espaço para respirar. Estamos também" próximos de "controlos de capitais", acrescentou. Um controlo de capitais pode passar pela proibição de saída de capitais do país.

 

"As coisas não podem ficar piores para a Rússia. O último passo para a tempestade perfeita seria a introdução de controlo de capitais", afirmou ao Financial Times, Heinz Rüttimann, estratega de mercados emergentes na Julius Baer.

 

Luís Costa, analista sénior do Citi, citado pelo The Guardian, aponta igualmente que o controlo de capitais é uma hipótese que não pode ser descartada.

 

A CNN Money, por sua vez, escreve que o duplo golpe – as sanções económicas impostas devido ao conflito com a Ucrânia e a queda dos preços do petróleo – estão a fazer subir a inflação. 

 

Com a saída de dinheiro do país - o que poderá levar a um medida de controlo de capitais - há empresas russas que podem estar a enfrentar o risco de entrar em falência, refere a cadeia noticiosa norte-americana. Por outro lado, o Banco Central russo além de ter subido as taxas de juro, gastou quase 90 mil milhões de dólares para defender a sua divisa.

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