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Espanha reduz montante de emissão de dívida em 2014

O Tesouro espanhol pretende reduzir as emissões líquidas de dívida durante este ano. Contudo, e dado que, em 2014, há mais dívida a atingir a maturidade, o financiamento de Espanha em termos brutos atingirá os 242.370 milhões de euros, mais quatro mil milhões de euros que em 2013.

19 - Espanha
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 08 de Janeiro de 2014 às 13:13
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Em 2014, Espanha deverá emitir, em termos líquidos, menos sete mil milhões de euros que no ano passado. O Tesouro espanhol pretende reduzir, assim, até 65 mil milhões de euros as emissões líquidas de dívida. De acordo com a imprensa espanhola, destes 65 mil milhões de euros, que deverão ser obtidos na totalidade através de emissões de dívida de médio e longo prazo, 23 mil milhões vão servir para financiar o Fundo de Liquidez das Autonomias (FLA).

 

Por outro lado, o financiamento em termos brutos deverá aumentar, face a 2013, 4.847 milhões de euros, para um total de 242.370 milhões de euros. Segundo o jornal espanhol “Expansión”, para o Ministério da Economia, este aumento no financiamento bruto deve-se ao facto de, em 2014, mais dívida atingir a maturidade do que em 2013.

 

Este ano, o mês mais exigente para o Tesouro do país vizinho será Outubro, mês em que terá de refinanciar quase 30 mil milhões de euros em dívida de curto e longo prazo. Os meses de Janeiro, Abril e Julho também deverão ser de alguma exigência.

 

O Tesouro espanhol pretende manter a mesma estratégia de financiamento que adoptou no ano passado. Assim, e de acordo com a nota do ministério da Económica, citada por esta publicação, Espanha “concentrará o seu financiamento de médio e longo prazo” em emissões “benchmark a três, cinco, dez, quinze e trinta anos”. Grande parte do financiamento deverá ser obtido através da emissão de obrigações e do leilão de bilhetes do Tesouro. O Estado espanhol pode recorrer a sindicatos bancários para as primeiras emissões de obrigações a dez, quinze e trinta anos, escreve a publicação.

 

Para Justin Knight, da UBS em Londres, a recuperação da dívida espanhola “deve continuar”. Em entrevista à Bloomberg, o responsável destaca, contudo, que a questão é se os bancos espanhóis “vão continuar a ser compradores activos à medida que se aproximam os testes de stress” à banca e se “vai haver um aumento da procura externa” por dívida de Espanha.

 

Por esta altura, os juros da dívida pública de Espanha, no mercado secundário, estão em queda em todos os prazos. A três anos, a taxa de juro desce 3,5 pontos base para os 1,447%, já a cinco anos, a taxa resvala 4,8 pontos base para 2,295% e a dez anos, a queda é de 5,3 pontos base para 3,751%.

 

O spread da dívida a dez anos de Espanha face à dívida alemã (que serve de referência) com mesmo prazo é de 187,6 pontos base. Os spreads são a diferença entre os juros, neste caso, de Espanha e da Alemanha, e servem para medir o risco da dívida pública de um país, neste caso o risco de Espanha.

 

A queda das taxas de juro de Espanha, praticadas no mercado secundário, está igualmente a ser sentida nos restantes países periféricos. A motivar esta evolução das "yields" está, nomeadamente, o facto da Irlanda ter regressado ontem, dia 7 de Janeiro, ao mercado com uma emissão de dívida a dez anos, pela qual aceitou pagar uma taxa de 3,54%, registando uma forte procura e acabando por arrecadar 3.750 milhões de euros. Esse regresso foi visto como uma barómetro para Portugal e é nesse sentido que as taxas de juro têm vindo a cair em Portugal.

 

Neste caso, o diferencial (“spread”) entre a dívida portuguesa a dez anos e a dívida alemã com a mesma maturidade caiu abaixo dos 300 pontos base (3 pontos percentuais) pela primeira vez desde Dezembro de 2010. Este indicador revela a rendibilidade extra que os investidores exigem para transaccionar dívida nacional em vez de dívida alemã. Quanto mais reduzido este diferencial, menor o risco associado. Quer isto dizer que há mais de três anos que o risco da dívida portuguesa não era tão diminuto.

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