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Euribor a seis meses cada vez mais perto de chegar a valores negativos

O indexante mais utilizado no crédito à habitação em Portugal ficou esta quinta-feira um novo mínimo histórico nos 0,004%. Nas prestações de Dezembro já se podem reflectir valores negativos.

Bruno Simão/Negócios
Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 29 de Outubro de 2015 às 12:35
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As taxas Euribor voltaram a ceder terreno esta quinta-feira, atingindo novos mínimos históricos em diversos prazos, devido à expectativa que o Banco Central Europeu vai avançar com mais medidas de estímulo e neste âmbito pode cortar a taxa dos depósitos, que já está em valores negativos.

 

O indexante a seis meses, que é o mais utilizado no crédito à habitação em Portugal, fixou-se nos 0,004%, menos 0,2 pontos-base do que na véspera. Esta taxa atingiu assim um novo mínimo histórico e, se mantiver a tendência das últimas sessões, deverá chegar nos próximos dias a valores negativos.

 

Se assumir valores negativos no curto prazo, seguindo o desempenho das taxas a um e três meses, terá impacto já nos empréstimos revistos em Dezembro, encolhendo ainda mais as prestações.

 

"A probabilidade de que o BCE reforce as medidas expansionistas de política monetária na Zona Euro aumentou significativamente após a última reunião do banco central", o que reforça o "ambiente de taxas de juro de curto prazo negativas", lembra Paula Carvalho, economista-chefe do BPI.

"Com a expectativa de que o BCE possa voltar a cortar a taxa de depósito, supostamente para -0,3%, as Euribor aceleraram a tendência de queda", acrescenta Filipe Garcia. "No actual contexto, é possível que as Euribor assumam, em breve, um valor negativo", estima a economista do BPI. Também Filipe Garcia defende que "é bastante provável que a Euribor a seis meses fique também negativa". Até porque não se identificam sinais de inversão.

"A inflação continua baixa, as ameaças de desaceleração económica na China e a queda no petróleo levam a crer que a inflação permanecerá muito baixa", sublinha o economista da IMF.

Efeito nas prestações revistas em Dezembro


Se a taxa a seis meses entrar em terreno negativo na próxima semana, em Novembro registará uma média mensal negativa e, deste modo, terá reflexo nos créditos que sejam revistos em Dezembro.

 

"Ponderando todos os factores em jogo, a probabilidade é elevada", antecipa Paula Carvalho. E este indexante é o mais utilizado em Portugal, em 53,3% dos créditos à habitação, num total de 852.800 contratos, de acordo com os últimos dados do Banco de Portugal.

Já há 675 mil famílias que beneficiam de taxas negativas com a Euribor a três meses. Esta taxa também fixou um novo mínimo esta quinta-feira, ao recuar 0,1 pontos-base para -0,068%. A nove meses, a Euribor desceu para 0,042%. No prazo de doze meses, a Euribor manteve-se nos 0,104%.

 

A confirmar-se esta evolução, os bancos terão de descontar a média negativa do indexante ao "spread". O que reduzirá ainda mais as prestações do crédito à habitação que têm vindo a cair sucessivamente nos últimos meses.

Considerando um crédito à habitação de 100 mil euros, a 30 anos, com uma margem de 0,7% e indexado à Euribor a três meses, deverá ver a prestação cair para 305,73 euros, menos 0,48% do que está a pagar actualmente.

Com base nos mesmos pressupostos, mas num financiamento associado à Euribor a seis meses, a mensalidade será de 308,98 euros, menos 0,76% do que na anterior revisão.

No espaço de um ano, as prestações encolheram em cerca de 2%, em ambos os indexantes.

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