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Fitch ameaça deixar Itália depois de acusações de manipulação de mercado

A agência de "rating" voltou a negar qualquer má conduta no seu trabalho depois de os procuradores da cidade de Trani acusarem a Fitch e a S&P de manipularem o mercado em 2011. A Fitch suspendeu todas as comunicações relativas a Itália até que tenha a certeza que o caso não se repete.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 14 de Novembro de 2012 às 16:13
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A agência de notação financeira Fitch ameaçou hoje, quarta-feira, abandonar as operações de Itália na sequência da acusação levada a cabo pelos procuradores da cidade de Trani relativa a manipulação de mercado.

“Se a Fitch não receber garantias adequadas de que este tipo de incidente não se volta a repetir, poderemos ter de reavaliar o futuro das nossas operações em Itália”, escreveu a agência de “rating” numa declaração hoje divulgada.

No início da semana, foram apresentadas queixas contra a Fitch e dois dos seus funcionários em que eram acusados de manipulação de mercado aquando das alterações na classificação da dívida italiana em 2011 e de alegadas fugas de informação durante o horário dos mercados. Cinco outros trabalhadores da Standard & Poor’s foram alvos da mesma queixa.

“Com efeitos imediatos, e na ausência de clareza sobre porque é que Trani se opõe a analistas que estão a partilhar opiniões legítimas com o mercado de uma forma transparente e apropriada, a Fitch restringiu a comunicação ao mercado relativa a entidades italianas e restringiu a emissão de relatórios publicados formalmente”, adianta a mesma declaração da Fitch.

Comunicações ao mercado restritas

Classificando a acusação de Trani como “uma manobra sem precedentes destituída de qualquer sentido”, a agência de classificação de risco suspendeu as conferências marcadas sobre entidades italianas.

Quaisquer questões colocadas por jornalistas ou investidores sobre o tema não serão respondidas directamente. Serão sim remetidas para os comentários públicos anteriormente feitos pela Fitch.

A entidade que avalia a credibilidade de créditos já tinha rejeitado, a 12 de Novembro, qualquer suspeita de conduta errada, tal como a sua congénere S&P.

A acusação dos procuradores de Trani indica, segundo a Reuters, que houve uma fuga de informação sobre os relatórios preparados pelas agências sobre Itália e sobre o sistema bancário italiano quando tomaram decisão sobre as alterações de “rating” do país em 2011. Esses relatórios terão chegado a pessoas que não pertenciam à agência durante o período de negociação bolsista, o que penalizou o preço das acções. A denúncia partiu de associações de defesa dos consumidores.

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