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Gregos já desviaram mais de 200.000 milhões de euros para a Suíça desde início da crise

A consultora Roland Berger propõe solução alternativa a um aumento adicional no esforço de resgate por parte dos privados, que passa pela venda de activos.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 19 de Outubro de 2011 às 16:12
Os cidadãos gregos desviaram mais de 200.000 milhões de euros para contas bancárias na Suíça desde o início da crise financeira e orçamental do país, revela hoje o jornal alemão “Bild”, citando a consultora em estratégia Roland Berger.

“Só nos últimos meses, já fluíram para o estrangeiro mais de 10.000 milhões de euros”, declarou Markus Krall, senior patner da Roland Berger Strategy Consultants, ao mesmo jornal.

Segundo este responsável, citado no “Expansión”, esta fuga de capitais deve-se ao receio generalizado de um incumprimento na Grécia e à reintrodução do dracma como moeda nacional, o que faria com que os fundos em euros em contas gregas perdessem mais de metade do seu valor.

O “Bild” sublinha que os capitais são desviados através de transferências simples, normalmente via Chipre. Além disso, os industriais gregos aproveitam também as suas empresas no estrangeiro para ali colocarem as suas fortunas.

Em declarações ao jornal alemão, citado pelo “Expansión”, o líder do grupo parlamentar social-democrata no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Martin Schulz, exige um acordo fiscal entre a Grécia e a Suíça que agrave os fundos desviados para o país helvético com um imposto sobre capitais de 25%.

Na sua opinião, essa seria uma forma de limitar a fuga de capitais. “Quem desvia às escondidas milhões de euros do país não pode ser pobre. Essas pessoas devem pagar de uma vez por todas”, acrescentou.

Roland Berger propõe solução para a Grécia

A consultora alemã considera que um “haircut” (perdas a assumir sobre a exposição à dívida) adicional sobre as obrigações soberanas da Grécia, por parte dos privados, teria “consequências muito negativas”, refere o “The Wall Street Journal”.

Assim, a Roland Berger propõe um plano alternativo para a redução da dívida grega: vender activos estatais, no valor de 125 mil milhões de euros, a um fundo europeu. Ou seja, a ideia é a Grécia transferir activos públicos naquele valor para um veículo de titularização (special-purpose vehicle) gerido por um fundo.

As receitas da transferência seriam utilizadas de imediato na recompra de obrigações gregas ao Banco Central Europeu e a outras instituições europeias ou Estado, reduzindo assim o encargo da dívida da Grécia, que é actualmente de 225 mil milhões de euros (com este plano, a consultora diz que a dívida passaria de 150% para menos de 90% do PIB grego).

Os activos transferidos serviriam de colateral (garantia) até serem vendidos. Consequentemente, seria atribuído um rating ‘AAA’ à Grécia, reduzindo-se assim os seus custos de financiamento, referiu a consultora, citada pelo “WSJ”.

Nos termos deste plano, o fundo de gestão não teria de vender os activos antes de 2025, o que lhe daria mais tempo do que nos termos da actual calendarização da Grécia. “Até ao momento, o governo grego concordou em privatizar activos, no valor de 50 mil milhões de euros, até 2015”, sublinha o jornal norte-americano.

“O ‘haircut’ adicional, que tem estado em debate, poderá ser contraproducente e não irá restaurar a confiança dos investidores”, segundo Markus Krall.

Recorde-se que a possibilidade de a Grécia precisar de mais dinheiro do que o previsto levou alguns países da Zona Euro a pedir uma maior contribuição do sector privado nos esforços de resgate daquele país. E como? Aceitando perdas (o chamado “haircut”) sobre a dívida grega numa percentagem superior aos 21% que foram definidos na cimeira europeia de 21 de Julho.

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