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Hungria em "lixo" leva investidores a pedirem mais juros em leilão

O país de Leste foi hoje ao mercado colocar dívida mas as dúvidas dos investidores levaram as rendibilidades pedidas a máximos de mais de um ano. Foi o primeiro leilão de dívida depois da suspensão da ajuda do FMI e da Comissão Europeia.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 03 de Janeiro de 2012 às 13:06
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A Hungria voltou a sentir dificuldades no mercado de dívida. Depois de ter falhado um leilão no final de Dezembro, sentiu hoje um agravamento nos custos de financiamento numa emissão.

A nação da Europa de Leste conseguiu colocar o montante previsto, 45 mil milhões de forint (142,7 milhões de euros), mas a taxa de juro implícita média pedida pelos investidores subiu para 7,67%, acima de 7,43% do leilão comparável. Foi o valor mais elevado desde Agosto de 2009.

A justificar o aumento das rendibilidades pedidas pelos investidores para deterem títulos do país da União Europeia está a suspensão das negociações para a ajuda financeira por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Comissão Europeia.

“A perspectiva de curto prazo para os activos húngaros parece, claramente, negativa”, indicou numa nota de “research” do UniCredit citada pela Bloomberg.

Legislação suspende ajuda internacional e prejudica ratings

No final de 2011, o Governo de Viktor Orban conduziu à aprovação de legislação que retira independência ao banco central em relação ao poder político e altera as nomeações na entidade. As instituições internacionais decidiram, assim, suspender as negociações.

A Hungria tinha antes feito um pedido de ajuda externa para enfrentar as dificuldades orçamentais que verifica no momento.

Esse pedido de ajuda levou a Moody’s a cortar o “rating” da dívida húngara para o grau especulativo – “lixo” –, onde a agência de "rating" deixa de aconselhar investimento. Posteriormente, a Standard & Poor’s seguiu-se à congénere e também baixou a notação financeira do crédito da Hungria para “lixo”, neste caso, devido às referidas alterações legislativas.

Além do insucesso da emissão de hoje, os cortes de “rating” e a ausência de conversações para uma intervenção externa já tinham levado a agência de crédito da nação a cancelar um leilão de dívida a três anos no final de Dezembro.

Intensificam-se, portanto, as dúvidas sobre a capacidade da economia húngara em financiar-se, com dificuldades na colocação de dívida no mercado e sem a ajuda internacional.

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