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Juros da dívida portuguesa aceleram queda com emissão bem recebida no mercado

Portugal pagou hoje mais de 6% para colocar dívida e optou por vender o montante mínimo, mas a emissão está a ter um efeito positivo no mercado. As "yields" estão a descer 18 pontos base, reduzindo o "spread" face às bunds alemãs.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 22 de Setembro de 2010 às 16:30
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As “yields” das obrigações do tesouro portuguesas estão a acentuar a queda que registam desde a manhã, depois de a generalidade dos economistas ter efectuado comentários positivos aos resultados da emissão que o Instituto de gestão do Crédito Público efectuou.

O juro das OT a 10 anos recua 18 pontos base para 6,121%, apresentando agora um diferencial face às “bunds” alemãs de 375 pontos base. Esta manhã, antes da emissão, os juros da dívida a 10 anos chegaram a atingir 6,343%, com os investidores a aguardarem com cautela os resultados do leilão.

O IGCP atraiu uma oferta robusta nas duas emissões mas acabou por pagar um juro superior a 6% na emissão com maturidade a 10 anos (6,242%), sendo que no total das duas emissões, colocou um montante de dívida que ficou em linha com o montante mínimo indicativo de 750 milhões de euros.

Economistas ouvidos pelas agências internacionais adiantam que os resultados foram positivos devido à elevada procura (quase cinco vezes superior à oferta na emissão a 10 anos), indicando que o facto de Portugal colocar apenas o montante mínimo mostra que o IGCP optou por dar um sinal aos investidores que não está disposto a pagar taxas muito altas.

A queda nas “yields” das obrigações europeias acontece hoje em quase todos os países, com os investidores a refugiarem-se na dívida pública devido aos receios de abrandamento económico, sobretudo depois de ontem a Reserva Federal ter afirmado que está disponível para tomar novas medidas de estímulo.

A “yield” das bunds alemãs a 10 anos recua 9 pontos base. Com a yield da dívida portuguesa a recuar o dobro, o “spread”, ou diferencial que os investidores exigem para comprar dívida portuguesa em detrimento da alemã, recua também 9 pontos.

O secretário de Estado do Tesouro, Carlos Costa Pina, afirmou hoje em entrevista à Reuters que a forte procura das duas colocações de Obrigações do Tesouro são um bom sinal para futuras emissões de dívida.

“A procura de [dívida de] Portugal tem enfraquecido nos últimos dias, devido às preocupações relativamente à economia”, disse o responsável pelo departamento de análise do Evolution, Gary Jenkins ao Financial Times. “Mas a taxas de juro muito elevadas, os investidores estão dispostos a comprar a dívida”, acrescentou.

O director de estratégia do Standard Life Investments diz que “este é um sinal dos problemas de Portugal. [O país] não pode continuar a pagar juros cada vez mais altos”.



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