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Juros da dívida portuguesa renovam máximos (act.)

As taxas de juro da dívida pública portuguesa renovaram esta manhã novos máximos em diversos prazos. A dez anos, quebraram os 7,8% e a cinco estão acima de 8,5%.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 28 de Março de 2011 às 09:26
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De acordo com os preços genéricos calculados pela agência Bloomberg, as taxas de juro subjacentes aos títulos da dívida pública portuguesa estão a subir no mercado secundário em todos os prazos, à excepção dos emitidos a três anos, renovando novos máximos.

A dez anos, as taxas cobradas entre os investidores estão agora acima dos 7,8%, em 7,828%, o que significa um agravamento de 4,2 pontos base face à última sessão.

As taxas mais elevadas continuam a ser cobradas nas transacções com títulos a cinco anos. Estão hoje a subir 6,4 pontos base para 8,553%, o que traduz também um novo máximo.

Espanha descola

Já as taxas de juro associadas à dívida pública espanhola estão hoje a subir, mas de forma residual. A dez anos, as taxas estão em 5,175%, mais 0,2 pontos base do que na última sessão, e a cinco estão inclusive a descer (0,5 pontos base) para 4,241%, o que sugere a inexistência de sinais de contágio da crise portuguesa a Espanha.

O chumbo do PEC IV e a demissão do Governo, na passada quarta-feira, detonou uma nova escalada de agravamento dos indicadores que sinalizam as condições que o Estado português terá de enfrentar em operações futuras de financiamento, com as taxas de juro da dívida a renovaram diariamente novos máximos.

Desde então, duas agências de notação de risco – a Fitch e a Standard&Poor’s – baixaram também o “rating” da República, sendo provável que a Moody’s o faça também em breve.

A degradação das condições de financiamento do Estado português, aliada aos avultados montantes que terão de ser angariados nos próximos meses para ressarcir dívida passada e financiar o novo défice, tornam cada vez mais difícil Portugal contornar um pedido de ajuda externa.

Ainda ontem, Ewald Nowotny, o governador do Banco Central da Áustria, e membro do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE), afirmou que seria "recomendável" Portugal recorrer a apoio financeiro internacional.

"Vendo de um ponto de vista puramente económico, uma decisão deste género pode ser certamente recomendável", afirmou Ewald Nowotny.

Para este responsável, a próxima emissão de dívida que o Estado português pretende fazer no mercado, que deverá ocorrer em Abril e num montante de 5,5 mil milhões de euros, segundo a Dow Jones, irá decidir se Portugal tem ou não de pedir ajuda financeira à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Governo demissionário de José Sócrates continua no entanto a resistir, advertindo para as consequências pesadas e duradouras de uma intervenção externa. Pedro Passos Coelho, líder do PSD e provável futuro primeiro-ministro, diz o recurso à ajuda da Zona Euro e do FMI deve ser encarado como última instância, mas não deve ser diabolizada.

Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, disse na semana passada que 75 mil milhões de euros seria um “valor apropriado” de uma eventual ajuda a Portugal.




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