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Juros da dívida em queda após decisão da Moody’s

Os juros da dívida pública portuguesa no mercado secundário estão a cair em todos os prazos. Na última sexta-feira, a agência de notação financeira Moody’s subiu o “rating” da dívida nacional, estando este assim a um nível de sair de lixo.

Bloomberg
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 28 de Julho de 2014 às 10:31
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Os juros da dívida pública portuguesa estão a cair em todos os prazos no mercado secundário. As "yields" a dois anos recuam 3,3 pontos base para 0,760%, a cinco anos descem 7,1 pontos base para 2,174%, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg. A dez anos, os juros exigidos pelos investidores para trocarem dívida entre si cedem 4,1 pontos base para 3,599%.

 

O risco de Portugal, que é calculado através da diferença entre a taxa que os investidores exigem para transaccionarem dívida a dez anos de Portugal e da Alemanha - país que é visto como sendo o mais seguro mas que oferece um retorno menor – está também a descer, situando-se nos 244,3 pontos base.

 

Na última sexta-feira, 25 de Julho, a agência de notação financeira Moody’s reviu o "rating" de Portugal de Ba2 para Ba1, com uma perspectiva "estável". Esta melhoria, que deixa o "rating" de Portugal a apenas um nível de sair de lixo, é a segunda efectuada no espaço de menos de três meses.

 

A 9 de Maio a Moody’s tinha subido o "rating"  para Ba2, tendo na altura colocado a notação de Portugal em revisão com implicações positivas. É por isso que a Moody’s decidiu agora melhorar de novo o "rating" de Portugal, fora do calendário pré-definido para o fazer e numa altura em que o colapso do Grupo Espírito Santo voltou a colocar Portugal nos holofotes dos mercados pelas piores razões. Na nota onde anuncia esta revisão do "rating" de Portugal, a Moody's desvaloriza o impacto desta crise no GES, afirmando que as "incertezas que rodeiam o BES não deverão ter um impacto material" no Estado português.

 

A Moody’s dá conta das duas principais razões para a melhoria na notação financeira da dívida soberana da Portugal. A primeira deve-se ao facto de a agência esperar que "a consolidação orçamental permaneça no caminho certo, apesar das decisões desfavoráveis do Tribunal Constitucional". A Moody’s espera que a descida do défice "suporte uma redução gradual no nível muito elevado da dívida pública nos próximos anos". A segunda diz respeito à "confortável posição de liquidez" que o País apresenta, depois de ter reconquistado o acesso aos mercados financeiros criando uma "almofada de liquidez considerável" e terminado o programa e assistência financeira.

 

No mercado secundário de dívida, os juros da dívida do reino de Espanha estão igualmente numa trajectória descendente. A dois anos, as "yields" cedem 0,4 pontos base para 0,293%, a cinco anos descem 2,6 pontos base para 1,084% e a dez anos deslizam 0,9 pontos base para 2,532%.

 

Por outro lado, no caso de Itália e da Alemanha, a tendência é a oposta. Em ambos os casos, a tónica é de subida ligeira. Os juros da dívida italiana a dois anos somam 0,6 pontos base para 0,456%, a cinco anos crescem 0,2 pontos base para 1,241% e a dez anos avançam 0,5 pontos base para 2,719%.

 

No caso da Alemanha, as taxas de juro exigidas pelos investidores para trocarem dívida entre si a dois anos avançam 0,8 pontos base para 0,035%, a cinco anos crescem 1,4 pontos base para 0,316% e a dez anos somam 1,1 pontos base para 1,157%.

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