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Juros da dívida portuguesa a 10 anos tocam os 6,6%

As taxas de juro das obrigações portuguesas negociadas no mercado secundário estão a subir em todas as maturidades, tendo já atingido os 6,6% a 10 anos. Nos últimos dias, o comportamento das “yields” das obrigações europeias tem sido de subida, com os investidores a saírem do mercado de dívida numa altura em que se receia alterações na política da Reserva Federal (Fed).

Jorge Garcia jorgegarcia@negocios.pt 11 de Junho de 2013 às 11:09
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O BCE (Banco Central Europeu) parece pouco inclinado a avançar com novas medidas de estímulo, adoptando uma postura mais cautelosa, e menos disposta a suavizar a política monetária, o que tem levado a uma subida das taxas de juro das obrigações portuguesas, que hoje já tocaram os 6,6%, na maturidade dos 10 anos.

 

As taxas de rendibilidade (“yields”) associadas aos títulos da dívida pública portuguesa trocados no mercado secundário estão nesta terça-feira, 11 de Junho, a subir em todas as maturidades, acima dos 26 pontos base.

 

O sucedido significa que a dívida portuguesa está sob pressão no mercado secundário, e que os investidores pedem um retorno mais elevado para negociar os títulos da dívida nacional, o que se tem verificado nas últimas sessões.

 

A taxa de juro implícita nos juros a dois anos está a subir 33,6 pontos base para 3,546%, o que corresponde ao valor mais elevado desde 26 de Fevereiro. A taxa a cinco anos avança 38,3 pontos para 5,432%, para máximos de 9 de Janeiro, e a “yield” a 10 anos cresce 36,7 pontos para 6,586%, o que representa o valor mais elevado desde 26 de Fevereiro.

A percepção de que o BCE adoptou uma postura mais 'hawkish' [menos disposta a suavizar a sua política monetária], a julgar pelas declarações de Draghi, fez subir os juros no centro da Zona Euro e na periferia. 
David Schnautz, estratego do Commerzbank

 

Este comportamento tem sido generalizado entre as taxas de juro implícitas nas obrigações italianas e espanholas. Em Itália, a “yield” das obrigações a 10 anos está a subir 6,5 pontos base para 4,133%. Cenário semelhante observa-se em Espanha, onde a taxa de juro a 10 anos está a avançar 8,8 pontos base para 4,684%. Ainda assim, a subida dos juros portugueses está a ser mais acentuada.

 

A subida dos juros está também relacionada com os receios dos investidores em relação à Fed e às alterações na sua política monetária. Os dados têm apontado para melhorias da economia norte-americana, o que sugere que o banco central poderá começar a retirar alguns estímulos à economia.

 

Segundo os analistas, parece não se passar nada em concreto com Portugal, sendo que o Nomura afirmou, depois da reunião do BCE, que "talvez os mercados tenham recuperado demasiado rapidamente com expectativas de novas medidas de estímulo, pelo que depois desta conferência de imprensa se calhar é hora de reajustar as expectativas".

 

O agravamento dos juros da dívida, que voltou a colocar "no prejuízo" os investidores que participaram na emissão de dívida a 10 anos, surge numa altura em que está a ser preparado o "plano para o regresso aos mercados", que poderá ser divulgado pelo IGCP nos próximos dias.

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