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Juros da dívida portuguesa a cinco anos caem abaixo dos 4%

As taxas de juro associadas à dívida nacional mantêm a tendência de queda que têm vindo a registar nas últimas sessões. Taxa a dois anos está abaixo de 2%, a cinco anos encontra-se a um nível inferior a 4%.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 08 de Janeiro de 2014 às 11:26
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O alívio sobre a dívida portuguesa continua. Mantendo a tendência das últimas sessões, os investidores continuam a exigir taxas mais baixas quando negoceiam títulos de dívida nacional. As quedas continuam a ser expressivas e a conduzir as taxas a valores há meses ou anos não registados.

 

A taxa de juro implícita à dívida a cinco anos está a cair 11,1 pontos base para se fixar nos 3,95%. É a primeira vez que desliza abaixo da “barreira” dos 4% desde Maio de 2013. A descida levou esta “yield” a reduzir a diferença face à taxa de juro alemã com o mesmo prazo, que permite medir o risco da dívida nacional.

 

Neste caso, o diferencial (“spread”) entre as duas dívidas caiu abaixo dos 300 pontos base (3 pontos percentuais) pela primeira vez desde Dezembro de 2010. Este indicador revela a rendibilidade extra que os investidores exigem para transaccionar dívida nacional em vez de dívida alemã. Quanto mais reduzido este diferencial, menor o risco associado. Quer isto dizer que há mais de três anos que o risco da dívida portuguesa não era tão diminuto.

 

A expectativa que tem corrido no mercado é que Portugal venha a emitir dívida portuguesa a cinco anos, como um passo para estabilizar a sua situação no caminho para o final do programa de resgate, calendarizado para 17 de Maio. Quando, no ano passado, o IGCP realizou uma operação do género, a taxa paga foi de 4,891%, o que representou, na altura, um diferencial de 400 pontos base em relação à dívida alemã.


É com esta queda do risco nacional que se tem intensificado a ideia de que a emissão de dívida nacional está por dias. A Irlanda emitiu ontem dívida, pagando uma taxa de 3,54%, registando uma forte procura e acabando por arrecadar 3.750 milhões de euros. Esse regresso foi visto como uma barómetro para Portugal e é nesse sentido que as taxas de juro têm vindo a cair em Portugal (isto numa altura em que a EDP e a CGD emitiram ou estão a emitir, respectivamente, dívida no mercado).

 

Taxa a dois anos abaixo de 2%

 

A queda das “yields” no mercado secundário (onde os investidores trocam títulos de dívida entre si) é superior a 10 pontos base em todos os prazos, segundo as taxas genéricas da Bloomberg.

 

A dois anos, a taxa de juro associada está a recuar 29,6 pontos base e encontra-se em 1,89%. Há já mais de três anos que a taxa não estava abaixo de 2% e encontra-se mesmo num valor que não era registado desde Abril de 2010.

 

A “yield” a dez anos cedeu 11,4 pontos base para os 5,26%, estando num valor mínimo de Maio de 2013. Neste caso, o diferencial face à dívida alemã equivalente foi o mais baixo dos últimos três anos. 

 

Este alívio no mercado português acompanha a evolução que se tem verificado nos restantes países como Espanha, Itália ou Irlanda, já que têm beneficiado do apetite pelo risco dos investidores.

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