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Juros da dívida portuguesa abaixo dos 5% com descida da inflação na Zona Euro

Abrandamento da inflação está a impulsionar o apetite por obrigações, levando as “yields” da dívida pública a ceder na grande maioria dos países europeus. Em Portugal o juro das obrigações a 10 anos voltou a quebrar a fasquia dos 5%, enquanto em Itália e Espanha estão em mínimos históricos.

Bloomberg
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Os juros das obrigações soberanas estão em queda em toda a Europa, com os investidores a apostarem nos títulos de dívida depois de ter sido divulgado que a inflação na Zona Euro desceu em Dezembro para 0,7%.

 

Em Portugal a “yield” das obrigações a 10 anos desce 10 pontos base para 4,99%, voltando assim aos níveis de 21 de Janeiro, dia em que a barreira dos 5% foi quebrada em baixo. Nas restantes maturidades a tendência também é de queda, com a “yield” dos títulos a 5 anos a cair 9 pontos base para 4,01% e a dois anos a recuar 9 pontos base para 2,48%.

 

A dívida alemã também está em alta (o preço das obrigações varia em sentido inverso aos das “yields”), baixando o juro da dívida a 10 anos para 1,66%. Como a queda dos juros é superior em Portugal, o “spread” das obrigações portuguesas também está em queda, situando-se esta sexta-feira nos 334 pontos base. O “spread” (diferencial entre a “yield” de Portugal e da Alemanha) mede o risco da dívida, pois contabiliza o prémio que os investidores estão exigir para comprar obrigações portuguesas em detrimento das alemãs.

 

Em Espanha e Itália o alívio também se faz sentir, com as “yields” a recuarem para mínimos históricos. Os juros das obrigações espanholas a 10 anos recuam 3 pontos base para 3,66% e os juros das obrigações italianas com a mesma maturidade baixam 5 pontos base para 3,77%.

 

Também a beneficiar as obrigações europeias está a turbulência que continua a penalizar os mercados emergentes, que está a provocar uma saída dos investidores dos mercados accionistas para a dívida.

 

Foi contudo o anúncio, por parte do Eurostat, de que a inflação voltou a descer na Zona Euro que motivou a descida das “yields” das obrigações europeias.

 

O abrandamento na subida do índice de preços no consumidor para 0,7% vem aumentar a pressão sobre o Banco Central Europeu para descer os juros na Zona Euro ou tomar outras medidas para estimular a economia, um cenário favorável às obrigações.

 

“O BCE avisou que a inflação seria baixa mas estou bastante convencido de que não esperavam que fosse tão baixa como [o nível a que] chegou”, disse o economista Padhraic Garvey, do ING, à Bloomberg. “Isso pressiona o BCE a manter políticas ultra-expansionistas. É um suporte para as obrigações” soberanas das principais economias da Europa, acrescentou.

 

Na reunião da próxima semana, o BCE deverá ainda assim manter o preço do dinheiro em 0,25%. Contudo, economistas do Commerzbank e do Barclays já mudaram a sua perspectiva e antecipam um corte no juro de referência para 0,1%.

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