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Juros portugueses aliviam das escaladas de ontem em todos os prazos

As rendibilidades pedidas pelos investidores para negociar dívida dos países periféricos, incluindo Portugal, estão hoje a deslizar. As descidas são insuficientes para compensar as fortes subidas de ontem.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2013 às 16:27
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As taxas de juro associadas à dívida portuguesa estão em queda em todos os prazos, contrariando as subidas expressivas que se registaram ontem. O impasse político em Itália ainda se mantém mas o leilão de dívida que se realizou esta quarta-feira, 27 de Fevereiro, naquele país trouxe alguma tranquilidade para a Europa.

 

Os investidores estão a exigir uma rendibilidade média de 6,48% para trocarem obrigações portuguesas a 10 anos, o que corresponde a um valor 7,9 pontos base (0,079 pontos percentuais) mais baixo do que o pedido ontem. Na segunda-feira, a taxa estava nos 6,17% mas disparou, ontem, para 6,56%, depois de conhecidos os resultados das eleições legislativas em Itália.


O facto de nenhum partido ou coligação ter conseguido uma maioria nas duas câmaras do parlamento italiano inundou, ontem, os mercados financeiros de incertezas, conduzindo as bolsas para quedas e as taxas de juro associadas à dívida para subidas intensas. Hoje, verifica-se uma ligeira inversão desse comportamento, embora o deslize seja insuficiente para compensar o avanço anterior.

 

As taxas de juro implícitas dos títulos de dívida portuguesa a dois anos perdem 21,9 pontos base para os 3,3%, ao passo que, no prazo a cinco anos, a descida é de 8 pontos base para os 5,07%. As quedas são extensíveis a todas as maturidades, embora de menor magnitude que as subidas de ontem.

 

Portugal consegue ver as “yields” caírem, o que reflecte uma valorização dos preços das obrigações, apesar dos receios de que esta nova fase da crise da dívida possa dificultar o regresso de Portugal ao mercado primário – para se financiar e deixar de depender de ajuda financeira externa.

 

Portugal acompanha a generalidade dos países europeus, onde se verifica um alívio face aos máximos de ontem. O leilão de dívida em Itália trouxe alguma calma, já que, apesar de o custo de financiamento ter aumentado, o país conseguiu captar uma procura dos investidores considerada “sólida” pelos analistas. Um dos medos dos investidores é o de que, com o actual impasse para a formação de Governo e a possível travessia de, pelo menos, três meses para a realização de novas eleições, o país pudesse vir a ser alvo de pressão dos mercados sem que tivesse condições para poder pedir a ajuda do Banco Central Europeu (BCE).

 

O leilão veio trazer algum freio a este sentimento pessimista e as rendibilidades das obrigações italianas descem, depois da escalada de ontem, o que também acontece quando se observam as “yields” das dívidas de Espanha, França e Alemanha.

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