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Juros portugueses avançam pelo quinto dia

"Yields" continuam a ganhar terreno na Grécia, mas estão hoje a recuar em Itália e em Espanha. Perigo de contágio da crise à Itália e à Espanha continua a pressionar o mercado de dívida secundário.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 04 de Agosto de 2011 às 11:03
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Os juros das obrigações portuguesas continuam a subir com as incertezas sobre o futuro do euro, dada a possibilidade de contágio da crise da dívida à Itália e Espanha. Apesar de ser um aumento ligeiro, representa um avanço pelo quinto dia consecutivo nos principais prazos.

Na maturidade a dois anos, a “yield” segue a somar 2,3 pontos base para 15,3%. Depois de ter registado um alívio na sequência da cimeira europeia – descendo da casa dos 20% –, tem vindo a subir nos últimos dias. O que acontece também com a taxa a três anos.

O cenário não é muito diferente no que se refere à maturidade a dez anos, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg. Os juros destas obrigações ganham mais de 10 pontos base e fixam-se em 11,3% no mercado secundário. Pelo contrário, os títulos obrigacionistas a cinco anos estão a cair fortemente, perdendo 70 pontos base para 14,7%.

O comportamento de subida na generalidade dos prazos em Portugal acompanha o desempenho dos juros gregos, que continuam a escalar. Nos dois anos, os juros ganham mais de 30 pontos base e estão quase a superar os 34%.

Em Itália e Espanha, a descida é a tónica dominante, numa altura que tem sido marcada por tensões no mercado de dívida secundário destes países. Ambos têm sido os países mais pressionados nas últimas sessões, com os juros a superarem os valores mais altos desde que estão no euro.

Na sessão de hoje, os juros italianos e espanhóis até estão a aliviar, mesmo depois de o país vizinho ter leiloado dívida no mercado primário com os juros a superarem os pedidos pelos investidores nas emissões anteriores. A Europa já se mostrou atenta à situação, dizendo que é injustificada a pressão sobre os títulos dos países da chamada “segunda periferia”.

O Banco Central Europeu (BCE) reúne-se hoje no encontro mensal e há economistas que defendem que só ele poderá travar o contágio da crise, como o caso do economista conselheiro da Comissão Europeia, De Grauwe.

O mercado secundário sinaliza os juros que os investidores pedem para trocar títulos de dívida soberana entre si. Um aumento desses juros sinaliza uma desconfiança face àquelas obrigações. Por terem receio daqueles activos, exigem um maior retorno.

Um receio que se mostra também quando há um aumento do prémio de risco face às "bunds" alemãs - quando se alarga a distância entre os juros soberanos de um país e os pedidos nas obrigações germânicas. Hoje, contudo, essa diferença não se está a intensificar, já que os juros da maior economia do euro também seguem a subir.
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