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Juros portugueses deslizam a acompanhar alívio no mercado de dívida europeu

A especulação em torno de um anúncio de medidas de estímulo a introduzir pelo BCE está a conduzir a uma queda das taxas de juro associadas às dívidas de países europeus. Portugal é um dos que mais beneficia.

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As taxas de juro associadas à dívida de países europeus, entre os quais Portugal, está em queda no mercado secundário, reflectindo o facto de os investidores estarem a pedir rendibilidades mais reduzidas para negociar títulos de dívida. Mario Draghi (na foto) é o responsável, pela expectativa que criou nos investidores.

 

No caso nacional, as quedas são generalizadas a todos os prazos. A dez anos, a maturidade de referência, a taxa de juro implícita está a perder 5,3 pontos base (0,053 pontos percentuais) para os 3,648%. A "yield" está a ceder há seis sessões consecutivas, embora ainda não tenha tocado nos 3,5%, como aconteceu há semanas (valores praticados apenas em 2006).

 

Os investidores exigem uma taxa de rendibilidade de 2,524% para comprar dívida portuguesa a dois anos, o que reflecte uma descida de 6,2 pontos base face ao fecho de ontem. Isto depois de ter tocado nos 3% na semana passada.

 

A dois anos, a taxa recua 4,9 pontos base para 1,149%, cedendo pelo quarto dia e aproximando-se novamente da taxa de 1%.

 

Portugal verifica um alívio no mercado secundário, onde os investidores trocam dívida entre si, depois da tensão da semana passada, em antecipação aos resultados das eleições europeias de 25 de Maio. Na sexta-feira, a agência de "rating" canadiana DBRS manteve a notação financeira da dívida portuguesa inalterada em "BBB" (baixo), mas melhorou a perspectiva de "negativa" para "estável".

 

Uma tendência europeia

 

Contudo, a tendência de descida das taxas de juro pedidas pelos investidores deve-se a um comportamento geral por toda a Europa, embora Portugal marque as descidas mais pronunciadas. Itállia, Espanha, Bélgica e Irlanda são exemplos de mercados em que as "yields" estão a perder terreno, reflectindo uma subida do preço dos títulos de dívida. Na Bélgica, a taxa a dez anos está até num mínimo histórico.

 

Esse desempenho de subida dos preços das obrigações europeias, que evoluem em sentido contrário às "yields", acontece com a especulação de que o Banco Central Europeu (BCE) vai avançar com medidas de estímulo à economia da Zona Euro quando, na próxima semana, se reunir o seu conselho. Isto depois de Mario Draghi, presidente da autoridade monetária, ter subido o tom antideflação na Zona Euro, no Fórum BCE que se realizou em Sintra.

 

A especulação acaba por impulsionar a procura por activos com um rendimento fixo, como é o caso das obrigações (a taxa é definida à partida).

 

Prémio de risco recua

 

Mesmo na Alemanha, maior economia da Zona Euro, os juros caem, o que, ainda assim, não evita uma descida do prémio de risco de Portugal. O prémio de risco nacional é a diferença entre a taxa de juro pedida para negociar dívida portuguesa a dez anos e o juro alemão na mesma maturidade. Mas como as taxas portuguesas perdem mais que as germânicas, a diferença diminui.

 

O prémio cai hoje para 220 pontos base (2,20 pontos percentuais), embora ainda não tenha recuperado totalmente da tensão da semana passada, já que ainda não está nos 200 pontos base que chegou a tocar no início de Maio.

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