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Juros quebram novos recordes a três e cinco anos (act.)

Mercado da dívida pública continua ao rubro para os países periféricos do euro. No dia em que Portugal volta a vender dívida de muito curto prazo, as taxas renovaram novos máximos.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 15 de Junho de 2011 às 09:21
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As taxas de juro associadas aos títulos da dívida pública portuguesa a três e cinco anos estão esta manhã a subir e já quebraram novos recordes, ao atingirem 13,181% e 12,269%, respectivamente.

Nos restantes prazos, a tendência é para um muito ligeiro alívio da pressão que regressou em força nas últimas seis sessões, alimentada pelo impasse – que persiste – sobre os termos e o grau de envolvimento dos bancos e fundos privados no segundo pacote de auxílio financeiro à Grécia continua a afectar a percepção de risco sobre os países da chamada "periferia" da Zona Euro, sem o qual o país corre o risco de entrar, já no próximo mês, em bancarrota.

Portugal faz hoje o último leilão de dívida deste semestre, para tentar angariar entre 750 mil e mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a três e seis meses, no mesmo dia em que entrega 6,74 mil milhões de euros aos investidores privados, concluindo o maior reembolso de dívida de longo prazo deste ano, já com dinheiro concedido ao abrigo do empréstimo externo, assegurado pela União Europeia e FMI.

Apesar de estar coberto por um programa de ajuda externa, Portugal continua a ser penalizado pelo corte de "rating" da Grécia por parte da agência Standard & Poor's (S&P). A dívida grega passou a ter uma notação de risco de "CCC", a mais baixa a nível mundial, entre os países analisados pela S&P.


A agência de “rating” considera cada vez mais provável que a Grécia entre em incumprimento ou que a sua dívida sofra algum tipo de reestruturação.


Grécia à beira da bancarrota

Um ano depois de ter visto aprovado um empréstimo de 110 mil milhões de euros para resolver o que os políticos sempre quiseram ver como uma crise de liquidez, e não de solvabilidade, a Grécia está de novo de mão estendida perante uma Zona Euro crescentemente desorientada sobre o seu próprio futuro, refém das regras dos mercados financeiros que há muito antecipam - e cobram - precisamente o que os políticos querem evitar: uma reestruturação da sua dívida


Mergulhada numa profunda recessão e desemprego recorde, Atenas não cumpriu o prometido: furou a meta do défice em 2010, furará a deste ano, deixou as privatizações em banho-maria e, ao contrário do que se assumia no programa de ajuda inicial, não conseguirá regressar no próximo ano aos mercados financeiros, devido às taxas de juro proibitivas que se praticam no secundário: a dois anos estão hoje acima dos 26% e a três anos já estiveram além dos 27%. Há, portanto, um novo e cavado "buraco" que é preciso tapar, numa altura em que a dívida grega vale 350 mil milhões de euros, mais de 150% do PIB do país.


Alemanha exige que privados sejam parte da solução


Mas doze meses volvidos, muito também mudou na Alemanha, que garante a fatia de leão dos empréstimos aos parceiros do euro. Após sucessivas derrotas históricas nas eleições regionais, que fazem antecipar uma queda com estrondo do actual Governo em 2013, a CDU de Angela Merkel diz não ter condições políticas para aprovar um reforço do empréstimo (assumindo mais riscos em nome dos seus contribuintes), a menos que os bancos e fundos que detêm dívida grega se envolvam também para evitar o pior dos cenários - "default" - de que seriam as vítimas mais directas.

É aqui que as regras do mercado se viram, paradoxalmente, contra a mão que se lhes estende. As agências de "rating" avisam que vão interpretar como "reestruturação" e esmagar ainda mais a notação da Grécia qualquer expediente que se traduza por uma redução do valor actual das obrigações gregas.

Mesmo que os bancos aceitem voluntariamente prazos de reembolso mais dilatados para evitar um incumprimento – alinhando no que os políticos chamam de reestruturação suave – as agências advertem que isso poderá ser considerado um "evento de crédito" – uma forma, também ela suave, de dizer "default".


Lehman multiplicado por dez

Nesse cenário, o BCE avisa que deixará de poder aceitar como colateral dívida grega. Isso significará, de imediato, fechar a torneira da única fonte de liquidez da banca grega. Mas as repercussões tenderão a ser tremendas: poderão significar o fim do euro e o início de uma nova crise financeira mundial que muitos analistas estimam multiplicará por dez o rombo gerado pela falência, em 2008, do Lehman Brothers.


Já esta manhã, a agência de notação financeira Moody’s advertiu para a possibilidade de baixar o "rating" do maior banco francês, o BNP Paribas, e dos seus mais directos concorrentes, o Société Générale e o Crédit Agricole, devido precisamente aos investimentos que fizeram na Grécia.

Europa, de novo, em contra-relógio

A margem de manobra dos Governos europeus para evitar uma segunda espiral de falências na banca é muito estreita e o tempo corre a desfavor: na ausência de um acordo até ao fim deste mês, a Grécia não receberá a quinta fatia do empréstimo externo e, nessas circunstâncias, Atenas diz que não terá outra alternativa senão declarar bancarrota.


Ontem, os ministros das Finanças estiveram reunidos de emergência em Bruxelas para tentar afinar um novo modelo de intervenção no país para enquadrar o reforço da ajuda externa, mas as conversações foram inconclusivas. Serão retomadas neste domingo.

Estima-se que a Grécia necessite de uma ajuda adicional da ordem dos 80 mil milhões de euros até 2014. Essa verba deverá ser garantida por um reforço da ajuda internacional, por uma aceleração do programa de privatizações, mas também por um envolvimento dos privados que poderão vir a aceitar esticar as maturidades dos créditos concedidos ao país, aliviando no curto prazo as necessidades de financiamento do país.


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