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Leilões preocupantes em Itália e Espanha levam juros a disparar na Zona Euro

Rendibilidades exigidas pelos investidores voltaram a superar os 7% na taxa a dez anos pela primeira vez desde que Mario Monti está à frente do Governo. Alterações políticas na Grécia e em Itália não trouxeram calma aos mercados. Espanha foi hoje ao mercado e pagou o juro mais alto em 14 anos.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 15 de Novembro de 2011 às 12:24
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As mudanças políticas em Itália e na Grécia não foram capazes de trazer uma calma permanente ao mercado de dívida. As taxas de juro implícitas da dívida dos países da Zona Euro estão hoje a disparar e os prémios de risco de vários países estão em máximos.

Ontem, Itália foi ao mercado de dívida primário emitir títulos de dívida a um ano. Pagou uma “yield” média acima de 4%, quando no último leilão comparável a mesma estava abaixo de 3%.

Por sua vez, hoje foi a vez de Espanha colocar notas de dívida no mercado com maturidades a um ano e a um ano e meio. Não foi colocado todo o montante de dívida previsto pelo Tesouro espanhol e a taxa de juro média paga foi a mais elevada desde 1997.

A Bélgica também foi ao mercado pagar a taxa mais elevada em três anos para colocar dívidas a doze meses. Por sua vez, a Grécia também teve de aceitar uma “yield” maior para colocar dívida a três meses no mercado.

“Yield” italiana supera novamente 7%

As operações trouxeram pessimismo para os mercados, já que se esperava que as mudanças políticas em Itália – com a saída de Berlusconi e a entrada de Mario Monti – e na Grécia – com a subida de Lucas Papademos à liderança do Executivo helénico – fossem capazes de trazer alguma estabilidade ao euro.

Tal não está a acontecer e os investidores estão a fugir das obrigações dos países periféricos, o que leva a que as “yields” subam, ou seja, estão a exigir mais rendibilidades para deterem aqueles títulos em carteira. Com a fuga, há uma maior procura por obrigações alemãs, o que faz com que as taxas de juro implícitas destas caiam.

A subida das rendibilidades é significativa nos títulos italianos: a dez anos, a “yield” já superou novamente os 7%, pela primeira vez desde que Monti está no “poder”. O avanço é superior a 30 pontos base na generalidade dos prazos. A dois anos, o progresso é superior a 50 pontos base para 6,5%.

Em Portugal, a tendência é mista, com a taxa a dois anos a avançar 23 pontos base para 17,4%, enquanto a taxa a dez anos resvala 7 pontos base para 11,4%.

Espanha, França, Bélgica e Áustria com prémios recorde

Os investidores estão também a castigar os títulos franceses, belgas, austríacos e espanhóis, com avanços entre 10 e 30 pontos base. Isto faz com que os prémios de risco estejam em máximos desde o euro.

Quer isto dizer que a diferença entre as “yields” exigidas para os títulos destes países e as da Alemanha nunca foi tão elevada desde que o euro foi fundado.


Isto acontece também porque, a par do avanço das rendibilidades exigidas nos títulos destes países, as “bunds” alemãs estão em declínio em todos os prazos, assinalando uma procura de refúgio.

Aliás, a taxa de juro implícita das obrigações germânicas a dois anos desceu abaixo dos 0,3%, o que não aconteceu nunca na era do euro.

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