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Portugal paga juro de 3,592% no regresso aos leilões a 10 anos

O Tesouro português obteve a totalidade dos 750 milhões de euros previstos no primeiro leilão de dívida de longo prazo da “era” da troika. Procura foi 3,5 vezes maior e taxa ficou nos 3,592%, a mais baixa desde 2005.

Miguel Baltazar/Negócios
Edgar Caetano edgarcaetano@negocios.pt 23 de Abril de 2014 às 10:42
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Os resultados da primeira emissão de dívida de longo prazo da "era" da troika sem apoio de um sindicato de bancos ficou em linha com o esperado pelos analistas. Foram colocados os 750 milhões de euros que correspondiam ao máximo do intervalo indicativo (500 milhões a 750 milhões) e a procura superou esse montante em 3,47 vezes.

 

Os títulos, que pagam um cupão anual de 5,65%, foram colocados a um preço que pressupõe uma rendibilidade anual bruta de 3,592%. É a taxa absoluta mais baixa que o Estado paga em emissões a 10 anos desde o ano de 2005.

 

Os 3,592% correspondem à chamada "taxa de corte", o custo efectivo suportado pelo Estado. Todos os investidores recebem essa taxa de rendibilidade mesmo que tenham proposto um valor inferior. No que diz respeito à taxa média ponderada oferecida pelos investidores cuja procura foi satisfeita, essa foi de 3,5752%.

 

A taxa ficou em quase metade da suportada no último leilão de dívida a 10 anos que o Estado português realizou, antes de os mercados de obrigações se fecharem para o País e se ter pedido assistência financeira externa. Em Janeiro de 2011, o Estado “pagou” uma taxa superior a 6,7% para se financiar a 10 anos.

 

Juros mais baixos vieram para ficar, dizem analistas

 

"A emissão saiu em linha com o que tem vindo a acontecer à dívida portuguesa, com as taxas a descerem significativamente", assinala Filipe Silva, Director da Gestão de Activos do Banco Carregosa, acrescentando que "a procura dos investidores mantém-se elevada, a perceção do risco Portugal continua a baixar, o que é positivo não só para o financiamento do Estado como também para a economia real já que as taxas de endividamento das empresas".

 

"O resultado foi muito positivo", diz Tiago da Costa Cardoso, gestor da XTB. "Embora ainda não exista para já uma estratégia definida em relação à saída do programa de ajuda, com este resultado poderemos estar cada vez mais perto de uma saída limpa, semelhante à da Irlanda", acrescenta o especialista.

 

Christian Schulz, economista do Berenberg Bank, disse antes do leilão que “os mercados continuam a ver com muito bons olhos a dívida dos países da 'periferia'". Para Portugal, "o facto de o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter mostrado confiança quanto ao cumprimento dos objectivos do défice e dito que a economia está a ter um desempenho melhor do que o esperado é muito benéfico e veio em boa hora".

 

Do outro lado está a política monetária que, como aponta Lefteris Farmakis, do Nomura, está a contribuir para aumentar o apetite dos investidores por activos com maiores rendibilidades. O analista não vê "grandes riscos" de que o momento positivo nos mercados se altere nos próximos meses. "A economia está melhor e a política do BCE deverá continuar a ser acomodatícia, factores que devem suplantar o impacto dos riscos negativos que possam existir", acredita o analista.

 

(Notícia actualizada às 11h05 - Actualizado com a taxa que é suportada pelo Tesouro e que corresponde à taxa de corte da colocação e que foi de 3,592%. A taxa média ponderada é uma estatística, correspondendo à média das taxas que estiveram abaixo da taxa de corte.)

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