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Portugal trabalha “muito activamente” para voltar aos mercados em 2014

Portugal está a atrair muito mais interesse de investidores internacionais para a sua dívida soberana e o Governo está a trabalhar "muito activamente" para voltar ao mercado de obrigações com uma emissão no início de 2014, disse em entrevista à Reuters Isabel Castelo Branco, secretária de Estado do Tesouro.

João Miguel Rodrigues
Negócios com Reuters 02 de Dezembro de 2013 às 11:23
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Isabel Castelo Branco (na foto à direita) diz que o Governo está a trabalhar "muito activamente" para voltar ao mercado de obrigações com uma emissão no início de 2014. A secretária de Estado do Tesouro diz que existe interesse por parte dos investidores internacionais.

 

Houve "uma consolidação desse interesse ao longo de 2013, que tem a ver com o facto do processo de ajustamento do País estar a ser reconhecido, quer porque uma série de indicadores se têm vindo a confirmar favoravelmente, quer porque o Governo tem feito um esforço para os divulgar", notou.

 

"Estamos a trabalhar muito activamente para estar no mercado de obrigações do Tesouro (OT). A partir do início de 2014, vamos estar a olhar para o mercado com muita atenção e aí será uma questão de oportunidade para emitirmos, mas vamos estar muito atentos", acrescentou Isabel Castelo Branco em entrevista à Reuters.

 

A responsável diz que "algumas fases do ajustamento surpreenderam muito positivamente os investidores (internacionais) e existe muito mais interesse. Acho que esse interesse é passível de ser convertido em procura, embora na prática só o consigamos dizer quando realizarmos (a emissão)", acrescentou Isabel Castelo Branco.

 

"O interesse do Governo é recuperar um programa de emissões tão regular quanto possível e tão cedo quanto possível", notou Isabel Castelo Branco, à Reuters."Nesta altura do ano, os mercados começam a perder liquidez, os investidores reduzem significativamente a sua capacidade de decisão por várias razões e portanto uma emissão nova até ao fim de 2013 começa a ser complicado".

 

Emissão será definida “em cima da hora”

 

"Quanto a essa nova emissão, não está nada definido (prazos e montantes). Tipicamente é definido 'em cima da hora', em função da melhor oportunidade e daquilo que faça sentido em termos de refinanciamento do Tesouro", disse a responsável.

 

Isabel Castelo Branco lembrou que a possibilidade de uma operação de troca de obrigações "enquadra-se, de facto, na estratégia de emissões do Tesouro para 2013/2014" e "faz sentido que tenha lugar antes de uma nova emissão, mas nada impede que possa ocorrer depois".

 

"A decisão sobre uma operação deste género irá depender da oportunidade de mercado, assim se entenda que existe a possibilidade de sucesso. Ao contrário de uma emissão (de OT), ainda será possível para 2013 embora o calendário esteja a ficar apertado muito rapidamente", afirmou Isabel Castelo Branco.

 

Interesse “consistente” por parte dos investidores

 

Além da acção constante do IGCP, "os ‘roadshows’ hoje são completamente sistemáticos e em várias versões" - mais formais com bancos, mais informais, com a sua presença, a da ministra das Finanças, a do vice primeiro-ministro, a de outros membros do Governo - que "tem ajudado bastante a transmitir uma imagem da evolução positiva da economia e do ajustamento".

 

O resultado, diz Isabel Castelo Branco, é "um interesse consistente que é baseado, por um lado, no facto de haver um ajustamento do défice e, muito importante, da Balança de Transacções Correntes, que é muito visível", disse.

 

“Por outro lado, estes últimos sinais de retoma económica, que são muito consistentes - e eu não quero valorizar demasiado este elemento - ajudam a solidificar a ideia que os investidores têm de Portugal e da sua determinação em cumprir as metas que têm sido estabelecidas", acrescentou.

 

Há ainda a expectativa de que a Zona Euro criará mecanismos de segurança - União Bancária, programa de Transacções Monetárias Definitivas (OMT) - e, assim, "se se cumprirem todos estes elementos, no raciocínio dos investidores, mais remotamente, está a possibilidade de 'upgrade' dos ratings", vincando: "não estou a dizer que o 'rating' vai subir, mas a descrever o racional dos investidores".

 

“Não há números mágicos”

 

"Confirmando-se o acesso ao mercado, acho que temos condições para as taxas virem a descer. Não há números mágicos, há números que fazem sentido e outros que não", disse Isabel Castelo Branco.

 

"A descida das taxas de médio e longo prazo têm de consubstanciar uma descida de spreads

Falta-nos seis meses para chegar ao ponto da Irlanda. Estes meses que faltam até ao fim do programa são de facto importantes e nós estamos todos conscientes disso", destacou, vincando: 'o segundo resgate está excluído'.
 
Isabel Castelo Branco

(prémios de risco) face à dívida alemã. Temos de olhar para os níveis absolutos e para os spreads, que também têm vindo a estreitar face aos máximos", adiantou.

 

"Não estou muito preocupada com uma referência muito fixa de um número. Temos já, na nossa história recente de emissões, vários tipos de referência", afirmou a secretária de Estado.

 

TC é relevante para alguns investidores, pouco para outros

 

A Secretária de Estado do Tesouro diz que "existe a determinação em cumprir e vamos prosseguir neste ajustamento e consolidá-lo como temos vindo a fazer. Não há um plano B, neste momento, temos um orçamento e é essa a base com a qual estamos a trabalhar e a divulgar ao mercado", realçou.

 

Afirmou que "os investidores são muito diversificados, olham para uma série de elementos e eventualmente a decisão do Tribunal Constitucional é um desses elementos", mas frisou: "a análise deste elemento do TC não é igual para todos".

 

"Nalguns casos é um elemento relevante, noutros não é. Depende da forma como constroem o processo de investimento, do que lhes interessa mais em cada momento, de uma série de questões que variam muito de investidor para investidor", disse.

 

"Falta-nos seis meses para chegar ao ponto da Irlanda. Estes meses que faltam até ao fim do programa são de facto importantes e nós estamos todos conscientes disso", destacou, vincando: "o segundo resgate está excluído". 

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