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Presidente alemão pressionado a demitir-se

Christian Wulff reagiu mal a uma notícia sobre um empréstimo hipotecário pessoal e tentou abafar a história. Agora, tem os media em polvorosa.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 03 de Janeiro de 2012 às 11:39
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O presidente alemão, Christian Wulff, está sob pressão e já foi mesmo instado a demitir-se. O país quer que o chefe de Estado explique a sua conduta – tanto em relação ao empréstimo à habitação como em relação às ameaças de processo contra o jornal “Bild” no caso de este publicar os detalhes da história.

Wulff, que é um aliado da chanceler Angela Merkel, e que foi empossado como presidente da Alemanha em Junho de 2010, sucedendo ao demissionário Horst Koehler, terá recebido um empréstimo hipotecário no valor de 500.000 euros por parte da mulher de um abastado empresário, em Outubro de 2008, quando era primeiro-ministro do Estado da Baixa Saxónia, explica a “BBC News”.

O “Bild” diz que no mês passado, antes de divulgar os pormenores do empréstimo, Wulff telefonou para o chefe de redacção do jornal, Kai Diekmann, e deixou uma mensagem de “voicemail” ameaçando aquela publicação com um processo em tribunal e manifestando revolta perante a sua ideia de publicar a história.

Segundo o mesmo jornal, Wulff, que estava em viagem pelos Estados do Golfo naquela altura, voltou a telefonar a Diekmann dois dias depois e pediu desculpas pelo tom de descontentamento usado na sua mensagem de voz.

O “Bild” não vai publicar o conteúdo do telefonema, devido ao pedido de desculpa, mas refere que Wulff também telefonou a Mathias Doepgner, presidente da editora do jornal - a Axel Spring -, a pedir-lhe para pressionar esse mesmo jornal no sentido de não publicar o artigo. No entanto, Doepfner recusou-se a fazê-lo.

Egon Geerkens foi o empresário cuja mulher concedeu o empréstimo a Wulff. Segundo o “Bild” foi acordado um juro de 4% - um ponto percentual abaixo da normal taxa de juro bancária naquela altura.

Mas a grande celeuma do momento está no facto de o presidente alemão ter pretendido abafar a história através de ameaças. O “The New York Times” sublinha mesmo que Wulff falou de “guerra” caso o jornal divulgasse a história.

Hoje, no seu editorial, o jornal “Financial Times Deutschland” instou Wulff a demitir-se, dizendo que não teve uma atitude digna do cargo que ocupa, diz a agência noticiosa AFP. O influente diário “Sueddeutsche Zeitung” refere também que Wulff deve demitir-se.
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