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Promotores públicos italianos confiscam documentos da Moody’s e S&P

As duas agências norte-americanas de notação financeira estão a ser alvo de investigação no âmbito de um processo de averiguação de possível prática criminosa na forte queda da bolsa italiana no mês passado.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 04 de Agosto de 2011 às 18:40
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Em Milão, foram confiscados documentos das agências de "rating" norte-americanas Moody’s e Standard & Poor’s, no âmbito de um processo de averiguação de oscilações “anómalas” nos preços de algumas acções.

A medida destina-se a determinar se estas agências respeitam o quadro regulatório italiano, declarou à Reuters o magistrado Carlo Maria Capistro, do Ministério Público da cidade de Trani (Sul do país), que está a liderar o processo.

Os documentos foram confiscados nos escritórios de Milão de ambas as agências de notação financeira, segundo a mesma fonte. Capistro acrescentou que os promotores públicos solicitaram também ao regulador do mercado, Consob, para que forneça documentos relacionados com o registo destas agências em Itália.

A S&P já se pronunciou, dizendo que está convicta de que este processo não tem qualquer fundamento. “Defendemos veementemente o nosso trabalho, a nossa reputação e a dos nossos analistas”, referiu a agência em comunicado.

Quanto à Moody’s, referiu que “assume muito seriamente as suas responsabilidades no que diz respeito à divulgação de informação sensível para o mercado” e que está a cooperar com as autoridades.

Os promotores públicos de Trani abriram dois processos de averiguação – um para cada agência – depois de terem recebido queixas por parte de dois grupos de consumidores relativamente ao impacto, sobre as acções italianas, dos seus relatórios sobre a dívida de Itália.

A primeira queixa foi apresentada contra a Moody’s, depois de a agência ter publicado um relatório, em Maio de 2010, sobre o risco de contágio da crise grega aos bancos italianos, sublinha a Reuters.

A segunda queixa surgiu em Maio desde ano e teve como alvo a Standard & Poor’s, depois de esta ter ameaçado cortar o “rating” das obrigações soberanas de Itália devido à sua elevada dívida pública.

Os promotores públicos estão também a investigar se houve prática criminosa nos movimentos de venda de acções italianos nas sessões de 8 e de 11 de Julho, numa altura em que se intensificaram os receios de que Itália fosse contagiada pela crise da dívida.

Um dos grupos de consumidores queixosos diz que é preciso determinar se a forte queda da bolsa se deveu a “algum esquema por parte dos fundos de cobertura de risco [“hedge funds”] e de outros operadores não identificados que pudessem estar associados aos comentários negativos acerca das finanças públicas de Itália por parte das agências de notação financeira”, refere a Reuters.

No mês passado, o Consob reuniu-se com a Moody’s e com a S&P e instou ambas as agências a não publicarem os seus relatórios durante o horário de negociação da bolsa.

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