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"As expectativas de novas subidas das taxas do BCE têm vindo a ser adiadas"

Paula Carvalho considera que o comportamento recente de alguns indicadores veio aumentar a probabilidade de um abrandamento económico maior que o antecipado. O que deverá levar o Banco Central Europeu a adoptar uma atitude mais cautelosa.

André Veríssimo averissimo@negocios.pt 04 de Agosto de 2011 às 11:02
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A Euribor a 3 meses recuou nos últimos dias. Este movimento está a ser atribuído a um aumento da liquidez depositada pelos bancos no BCE e dúvidas crescentes sobre novos aumentos da taxa directora. Concorda com esta análise?



Sim, as duas afirmações parecem-me válidas. Segundo a informação disponibilizada pelo BCE tem ocorrido um aumento dos depósitos, o que deverá também reflectir a volatilidade típica causada pela proximidade das datas limite dos períodos de constituição de reservas, para além do período de férias e tomada de uma postura mais cautelosa pelas instituições financeiras com excedentes. Acresce que nos últimos dias têm de facto vindo a ser adiadas as expectativas de novas subidas das taxas do BCE, como se pode constatar pela evolução dos preços dos futuros sobre a Euribor.

Na verdade, o comportamento recente de alguns indicadores - sobretudo os PMI [índice de encomendas ], o ESI [sentimento económico], a taxa de inflação estimada em Julho, que ficou abaixo do esperado, e mesmo os indicadores dos EUA, que surpreenderam negativamente - veio aumentar a probabilidade de um abrandamento económico maior que o antecipado.

Espera que Jean-Claude Trichet mantenha em aberto a possibilidade de novos aumentos da taxa de referência na conferência de imprensa?



Espero que sim, embora mostre uma postura mais cautelosa, podendo significar o adiamento ou um maior intervalo antes da próxima subida.

Qual a expectativa do BPI para a taxa de juro de referência do BCE no final do ano e no final do primeiro semestre de 2012?



No final do ano, 1,75%. No fim do primeiro semestre de 2,25%, com algum risco de revisão em baixa.

Um agravamento da crise da dívida soberana, com um aumento dos juros soberanos de Itália e Espanha para os 7%, pode levar o BCE a reconsiderar a sua política monetária, refreando a subida da taxa directora?

O alastramento da crise de dívida soberana a mais países pode, quando muito, adiar ou tornar mais lenta a trajectória. Mas o BCE vai sempre tentar reposicionar o seu principal instrumento de intervenção numa fasquia mais neutral, procurando também encontrar munições para actuar de forma contra-cíclica em caso de necessidade.

Em 2008 a crise do "subprime" levou a um forte aumento das taxas interbancárias. Isso pode voltar a acontecer caso exista um agravamento da crise da dívida soberana, com Itália ou Espanha a pedirem auxílio financeiro?



No limite sim, se a escalada de acontecimentos não for travada contagiando países cada vez com maior peso no sistema, sim, poderia haver novamente uma crise sistémica. Mas acreditamos que novos desenvolvimentos deverão ocorrer no âmbito da União Europeia por forma a evitar essa situação.


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