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Vulnerabilidade de Espanha aos apuros do euro foi preponderante para corte de "rating" (act.)

A agência de notação financeira colocou a dívida soberana espanhola sob perspectiva negativa, o que implica a possibilidade de novas reduções da classificação.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 27 de Janeiro de 2012 às 18:29
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A Fitch cortou hoje o “rating” da dívida pública de longo prazo de Espanha em dois níveis, para ‘A’. A perspectiva é negativa, o que significa que pode haver mais cortes da notação soberana do país.

A justificar esta decisão, a agência diz que há sobretudo dois factores. O primeiro deles reflecte uma reavaliação, por parte da Fitch, dos potenciais choques monetário e de financiamento com que os membros da Zona Euro se deparam, à luz da crescente disparidade das condições económicas, monetárias e de crédito, e à luz das perspectivas que existem para esta região – “que é também um factor nos ‘downgrades’ de algumas outras dívidas soberanas da Zona Euro”, diz o relatório.

O segundo factor prende-se com o “significativo recuo orçamental de Espanha em 2011 e com a deterioração do ‘outlook’ macroeconómico do país, com implicações adversas para o panorama das finanças públicas no médio prazo”.

“Os factores que desencadearam este corte da notação reflectem a natureza sistémica da crise na Zona Euro – a que o elevado défice público e dívida externa líquida de Espanha estão especialmente vulneráveis”, refere a agência.

A Fitch adverte também que o governo de Espanha poderá ter de injectar mais dinheiro público para sanear o sistema bancário.

"O novo governo [liderado por Mariano Rajoy] anunciou que vai exigir aos bancos espanhóis um aumento das suas provisões em 50.000 milhões de euros. Se bem que não estejam ainda avançados todos os detalhes, a Fitch pressupõe que os bancos poderão ver-se confrontados com um período curto para cumprirem estas exigências, além do cumprimento dos requisitos de capital que já tinham sido anunciados pelo governo anterior, em Fevreiro de 2011", salienta a agência.

No mesmo documento, a Fitch diz que considera que as instituições financeiras mais sólidas deverão conseguir compensar este aprovisionamento adicional, através dos seus resultados ou de reservas excedentárias, mas que o sector bancário espanhol no seu conjunto deverá precisar de mais apoio de capital por parte do governo.

Recorde-se que a Fitch cortou os cinco países da Zona Euro que tinha “ameaçado”, cumprindo assim o anúncio de um “downgrade” antes do final de Janeiro.

O nível de ‘A’ é ainda considerado um nível de investimento. Pela tabela da Fitch, só a partir de ‘BB+’ é que se entra na categoria de grau especulativo – ou seja, “lixo”.

Há duas semanas, a S&P também cortou a notação de Espanha - e de mais oito países do euro.


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