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3M teve um "ano de cão" na bolsa nova-iorquina

A multinacional norte-americana 3M foi um dos "cães" do Dow Jones este ano. E 2020 não promete ser melhor.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 20 de Dezembro de 2019 às 20:43
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"Os investidores, aparentemente, não deixaram muitos post-its colados para se lembrarem de comprar ações da 3M", diz a CNN Business a propósito da queda de 12% desta multinacional norte-americana no acumulado de 2019.

 

E esta desvalorização faz da 3M a segunda cotada com pior performance no índice industrial Dow Jones – só a Walgreens está a ter um desempenho mais medíocre do que a empresa que produz as famosas notas Post-it, a fita adesiva Scotch Tape e o esfregão Scotch-Brite, entre muitos outros produtos, desde inaladores a monitores para computadores.

 

E se para muitos o cão é um animal que personifica a confiança e o compromisso, não esqueçamos que há também muitos provérbios que nem sempre o colocam no patamar de nosso melhor amigo, nem dignificam a forma como devem ser tratados, como "dia de cão", "abaixo de cão" ou "vida de cão".

 

Mas há mais referências a este animal de quatro patas, como a expressão anglo-saxónica ‘it’s raining cats and dogs’, que é usada quando chove torrencialmente.

E o cão tem também as suas referências nos mercados e nas empresas.

 

No universo empresarial, o Boston Consulting Group (BCG) chama de "cão" a uma unidade de negócio que ainda só tem uma pequena quota de mercado num sector já maduro – é uma das quatro categorias (ou quadrantes) da matriz de crescimento de quota desenvolvida na década de 1970 pelo BCG.

 

Por sua vez, em bolsa, o termo cão refere-se a uma acção que está a ter um mau desempenho crónico, podendo assim penalizar toda a performance de uma carteira de títulos.

 

E este ano a 3M está relegada a esse mesmo estatuto de "cão". O pior é que, segundo a CNN Business, não se espera que o ano de 2020 venha a ser melhor – o que não é habitual, já que é costume os títulos com piores desempenho num ano melhorarem no ano seguinte.

 

É, aliás, a crer nessa tendência que muitos investidores seguem a estratégia "The Dogs of the Dow" ("Os Cães do Dow"), que consiste em comprar as 10 acções do índice Dow Jones com maiores rendibilidades de dividendos – o que acontece com as acções baratas.

 

As tensões comerciais EUA-China penalizaram fortemente a 3M, que em outubro do ano passado já advertia que esta guerra iria ser um problema. Em abril deste ano, as suas ações afundaram 13% numa só sessão, naquela que foi a sua pior queda em 30 anos, isto depois de a empresa ter dito que a conjugação da sua debilidade na China com um dólar mais forte estavam a pressionar grandemente os lucros e receitas da empresa.

 

Entretanto deu-se o acordo comercial de Fase 1 entre Washington e Pequim, mas nem por isso a 3M deixou de estar em apuros.

No início deste mês, o analista Andrew Kaplowitz, do Citi, reviu em baixa a recomendação para a 3M, justificando a decisão com os receios de possíveis riscos em matéria ambiental e de saúde associados aos polifluoroalquil – classe de produtos químicos muito usados em utensílios domésticos – que se encontravam habitualmente no impermeabilizante ScotchGard e outros produtos da empresa.

 

A 3M disse em setembro passado que está empenhada em trabalhar com o governo norte-americano no sentido de lidar com estes receios, apoiando mais regulação e investigação neste domínio, mas ainda não conseguiu captar muitos mais investidores.

 

Segundo a Refinitv, fornecedora de dados e infraestrutura para os mercados financeiros, apenas dois analistas têm atualmente recomendação de "comprar" para as ações da 3M. Resta saber se no próximo ano a situação pode mudar, ou se, pelo contrário, a 3M vai permanecer na indesejável matilha do Dow.

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