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A caminho do Natal ao ritmo do "precipício orçamental"

Negociações podem arrastar-se até à última semana do ano, com potencial para "estragar" o Natal (como temia Barack Obama) nos mercados globais

Edgar Caetano edgarcaetano@negocios.pt | Foto: Reuters 17 de Dezembro de 2012 às 11:26

Barack Obama | O presidente dos EUA pediu um acordo sobre o "precipício orçamental" antes do Natal, mas o seu desejo não deverá ser cumprido.


As negociações em torno do "precipício orçamental" nos EUA devem esta semana concentrar de forma quase exclusiva as atenções nos mercados financeiros mundiais.

Ao contrário do que desejava Barack Obama, as últimas indicações saídas do Congresso sugerem que as negociações poderão arrastar-se até à última semana do ano. Na Europa, "é tempo de preparar o Natal e aproveitar a calma enquanto ela dura", dizem economistas do ING.

 

Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal dos EUA, advertiu na semana passada que as novas medidas de estímulo que acabara de anunciar não serão suficientes para compensar os riscos para a economia que representa o "cocktail" potencialmente explosivo de aumentos de impostos e cortes na despesa federal cuja entrada em vigor poderá acontecer a 1 de Janeiro.


A incerteza relacionada com o "precipício orçamental" já tem vindo não só a penalizar o sentimento nos mercados dos EUA e a nível global, mas está também a afectar a actividade empresarial na maior economia do mundo. "Os receios de que a economia volte a cair em recessão [devido ao 'precipício'] já são evidentes em alguns indicadores económicos, com as empresas a adiar contratações e decisões de investimento", diz o ING.


Esse efeito poderá ser visível nos dados a divulgar no final da semana nos EUA. Pedidos de subsídio de desemprego, confiança do consumidor e os indicadores avançados do instituto Conference Board são alguns dos principais destaques, além das encomendas de bens duradouros em Novembro, a divulgar na sexta-feira.

Na Europa, "esta deve ser finalmente uma semana calma, sem reuniões de emergência dos líderes da Zona Euro ou resgates financeiros", escrevem economistas do ING, acrescentando que "é tempo de aproveitar a calma enquanto ela dura". O efeito positivo do plano de intervenção nos mercados anunciado em Setembro pelo BCE ainda perdura, suportando as bolsas e os títulos de dívida pública dos países mais fragilizados do euro. 

 

Mario Draghi estará hoje presente no Parlamento Europeu, num discurso em que o presidente do BCE poderá dar pistas sobre o que se segue na política monetária na Zona Euro. Isto numa altura em que alguns observadores admitem que seja anunciado um novo corte da taxa de juro de referência em Janeiro. No plano económico, no calendário desta semana estará em destaque o índice IFO de sentimento económico, a divulgar quarta-feira na Alemanha.


No mercado nacional, a actividade deverá continuar a diminuir nesta penúltima semana do ano. O único indicador de relevo será o Boletim Estatístico do Banco de Portugal, a divulgar na quinta-feira. De resto, a bolsa portuguesa deverá seguir a deixa das pares internacionais.

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