Mercados Abertura dos mercados: Bolsas europeias caem para mínimo de 20 meses após sell-off na Ásia e Wall Street  

Abertura dos mercados: Bolsas europeias caem para mínimo de 20 meses após sell-off na Ásia e Wall Street  

Wall Street sofreu a maior queda desde Fevereiro e as praças asiáticas também foram fortemente castigadas. A turbulência estende-se às bolsas europeias, que atingiram mínimos de 20 meses. O petróleo também está em queda e os juros de Itália continuam a subir.
Abertura dos mercados: Bolsas europeias caem para mínimo de 20 meses após sell-off na Ásia e Wall Street   
Reuters
Nuno Carregueiro 11 de outubro de 2018 às 09:25

Os mercados em números

PSI-20 soma 0,15% para os 5.156,52 pontos

Stoxx600 cai 1,58% para 361,15 pontos
Nikkei desvalorizou 3,89% para 23.590,86 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos inalterados em 1,954%

Euro valoriza 0,27% para 1,1552 dólares

Petróleo em Londres desce 0,94% para 82,31 dólares 

 

Europa segue quedas de Wall Street e praças asiáticas

As bolsas europeias abriram a sessão em forte queda, seguindo o desempenho negativo de Wall Street e praças asiáticas, que sofreram as maiores quedas desde Fevereiro na última sessão. O índice Dow Jones fechou a cair 3,15% esta quarta-feira, contaminando o sentimento nas praças asiáticas, onde os principais índices também marcaram perdas acima de 3%. A bolsa chinesa foi a mais castigada e chegou a afundar 5% ao longo da sessão, tendo sofrido a queda mais forte desde 2016.

 

Na abertura da sessão europeia, o Stoxx600 cai 1,58% para 361,15 pontos, tendo já tocado em mínimos desde Janeiro de 2017 (ontem tinham tocado em mínimos de Março deste ano). São as fabricantes de matérias-primas que estão a liderar as quedas, mas a tendência negativa é generalizada a todos os sectores.


A Bloomberg assinala que são vários os factores que justificam este desempenho fortemente negativo dos mercados accionistas, sendo que nenhum deles é dominante. Os investidores mostram-se preocupados com os efeitos da subida de juros nos Estados Unidos, da guerra comercial entre os EUA e a China e do crescente clima de confrontação entre Roma e Bruxelas sobre o orçamento italiano. E também com a valorização recente das tecnológicas, que poderá ter sido exagerada, motivando agora correcções acentuadas no sector.

Para Donald Trump há um culpado claro neste sell-off que se assiste em Wall Street. O presidente norte-americano declarou esta quarta-feira à noite que a Reserva Federal "endoideceu", referindo-se à sua opção por uma subida gradual das taxas de juro e justificando a queda dos mercados accionistas com esta política monetária da Fed. Declarações que também estão a contribuir para aumentar o nervosismo dos investidores.

 

A bolsa de Lisboa está a ser apanhada por este momento de turbulência, com o PSI-20 a cair 1,06% para 4.982,45 pontos, tendo já renovado mínimos de Setembro do ano passado.

A principal questão nos mercados está agora em saber se esta é apenas mais uma correcção saudável face aos ganhos expressivos registados nas bolsas mundiais, ou se será mesmo o fim do "bull market" que tem imperado nos últimos anos. Trump também tem uma opinião sobre este tema, considerando que se trata de uma "correcção que aguardávamos há muito". Banny Lam, analista da CEB International, tem uma visão bem mais negativa. "Estamos apenas no início" de um ciclo negativo nos mercados, afirmou à Bloomberg.


Trump penaliza dólar

As renovadas críticas do presidente dos Estados Unidos à política monetária da Fed voltam hoje a penalizar a moeda norte-americana, com o índice do dólar a ceder 0,1% e o euro a valorizar 0,27% para 1,1552 dólares.  

"A Fed está a cometer um erro. Eles são tão tacanhos. Penso que a Fed endoideceu", declarou o presidente dos EUA, já depois do encerramento dos mercados da sessão de quarta-feira.

 

Juros aliviam nos EUA e continuam a subir em Itália

Um dos principais motivos de preocupação dos investidores está na subida dos juros das obrigações norte-americanas, que estão já bem acima dos 3% e em máximos de sete anos devido à perspectiva de mais subidas nas taxas de juros da Reserva Federal. Ainda assim, as yields até aliviaram nas últimas sessões e esta quinta-feira a taxa dos títulos a 10 anos está a recuar para 3,17%.

Já em Itália persiste o clima de confrontação entre o governo italiano e as autoridades europeias sobre o orçamento para 2019, pelo que os juros da dívida pública do país estão de novo em alta. A "yield" dos títulos a 10 anos avança 4,5 pontos base para 3,557%.

Em Portugal os juros estão estáveis, com a "yield" da taxa a 10 anos inalterada nos 1,954%. Como habitual em alturas de turbulência nos mercados, os investidores estão a procurar refugio na dívida alemã, levando a "yield" das bunds a 10 anos a ceder 5 pontos base para 0,502%.

 

Michael não trava queda do Petróleo

Apesar da chegada do furacão Michael à região da Florida ter já obrigado ao fecho de várias plataformas petrolíferas no Golfo do México, os preços da matéria-prima continuam a corrigir, com os investidores concentrados nas preocupações com a redução da procura global.

O Brent em Londres está a cair 0,94% para 82,31 dólares, já distante do máximo de quatro anos atingido acima dos 85 dólares. O WTI em Nova Iorque cede 0,96% para 72,47 dólares.


Ouro falha estatuto de refúgio

O ouro até está em alta ligeira – a onça valoriza 0,22% para 1.197,46 dólares – mas o desempenho está longe de mostrar que os investidores estão a procurar refúgio no ouro nesta altura de turbulência nos mercados. "Ignorado de novo", escreve a Bloomberg para mostrar que o ouro, ao contrário do que acontecia passado, já não é procurado pelos investidores em alturas de fuga aos activos de risco.




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