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Abertura dos mercados: Tensão comercial intensifica-se e bolsas acentuam queda. Juros de Portugal atingem novo mínimo

A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China está a intensificar-se, com as declarações de ambas as partes a apontarem para um conflito prolongado. Os investidores estão a sair das ações e do petróleo, refugiando-se na dívida soberana e no dólar.

Os investidores que prefiram ficar longe do sobe e desce do mercado podem privilegiar uma abordagem mais defensiva. Os fundos multiactivos podem ser uma boa alternativa para quem pretende obter retornos, mas não quer assumir riscos demasiado elevados.

Os fundos multiactivos ajustam-se a praticamente todos os investidores, uma vez que existem produtos com uma estratégia de investimento mais defensiva, equilibrada e agressiva. Apesar da instabilidade registada nos mercados accionistas nas últimas semanas, são os multiactivos agressivos, com maior exposição ao mercado accionista, que apresentam as melhores rendibilidades. Rendem, em média, 0,9% nos últimos três meses. Já os fundos que privilegiam uma estratégia mais equilibrada somam 0,81%, segundo os dados da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Património (APFIPP).

Ao investirem em diversas classes de activos, estes produtos de poupança reduzem o risco resultante de oscilações bruscas nos mercados financeiros. Ou seja, se as bolsas mundiais registarem quedas acentuadas enquanto está a banhos, a exposição a outros activos, como a dívida ou cambial, vai atenuar o efeito negativo das acções na carteira. No entanto, caso os problemas nos mercados aliviem e as bolsas registem subidas elevadas, esses fundos não irão obter retornos tão expressivos.
Reuters
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 23 de Maio de 2019 às 09:20
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Os mercados em números

PSI-20 recua 0,66% para 5.074,18 pontos

Stoxx 600 desce 0,87% para 375,90 pontos

Nikkei desvalorizou 0,62% para 21.151,14 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos descem 1,3 pontos base para 1,007%

 Euro recua 0,11% para 1,1138 dólares

Petróleo em Londres desce 0,73% para 70,47 dólares o barril

 

Bolsas acentuam queda

Os mercados acionistas continuam a evoluir ao ritmo das expectativas sobre o conflito comercial entre os Estados Unidos e a China e as notícias desta quinta-feira não são positivas. As declarações dos responsáveis de ambas as partes estão a contribuir para agravar o pessimismo dos analistas e investidores sobre os efeitos da guerra comercial no crescimento económico.

 

Se antes os analistas colocam o cenário de conflito comercial total como um cenário de risco, agora já são muitos os que estimam ser este o cenário central. É o caso do Goldman Sachs, que elevou a probabilidade de um conflito comercial de larga escala entre os dois países e o Nomura, que está agora a antecipar uma escalada nas tarifas entre as duas economias.

Este pessimismo está a reforçar a fuga dos investidores dos ativos mais arriscados, como é o mercado acionista. O Stoxx600 desce 0,87% para 375,90 pontos, numa altura em que vários índices europeus marcam perdas já acima de 1%.

 

A desaceleração económica e a incerteza relacionada com o Brexit continuam a pesar nas bolsas europeias. "A realização das eleições europeias no domingo poderá dissipar alguma incerteza entre os investidores e redimensionar os seus receios", antecipam os analistas do BPI no diário de bolsa. 


Em Lisboa o PSI-20 segue o desempenho negativo dos congéneres, com uma queda de 0,66% para 5.074,18 pontos, na segunda sessão seguida em queda.
 

Juros de Portugal mais perto de 1%

A dívida soberana europeia tem sido um dos ativos de eleição para os investidores procurarem abrigo da turbulência nos mercados, o que beneficia as obrigações portuguesas. A "yield" das obrigações do Tesouro a 10 anos está a recuar 1,3 pontos base para 1,007%, a que corresponde um novo mínimo histórico e cada vez mais próximo de quebrar a importante barreira de 1%.

 

O juro das bunds a 10 anos desce 1,2 pontos base para -0,1%, numa altura em que as taxas da dívida de diversos países também estão a atingir mínimos. Os investidores ficarão esta quinta-feira a conhecer os relatos relativos à ultima reunião da autoridade monetária europeia, realizada em abril, que deverão reforçar os sinais que o Banco Central Europeu vai manter uma política monetária acomodatícia, o que beneficia a dívida pública.

 

Guerra comercial beneficia dólar e libra em queda livre

No mercado cambial a moeda norte-americana tem sido a grande vencedora do conflito comercial, com os investidores a reforçarem a aposta no dólar como ativo de refúgio. O índice da moeda norte-americana valoriza 0,2%, estando o euro a desvalorizar 0,11% para 1,1138 dólares, um mínimo de quatro semanas.

 

A moeda norte-americana está também a beneficiar com as minutas da Reserva Federal reveladas ontem, pois o banco central afastou um corte de juros e reiterou a abordagem paciente que a Fed pretende continuar a aplicar "durante algum tempo" na sua política monetária.

 

Já a libra está a perder terreno devido às notícias de forte turbulência no governo de Theresa May, que está pressionada a demitir-se nos próximos dias. A moeda britânica desce 0,39% para 1,2615 dólares e nas últimas dez sessões apenas subiu numa delas.

 

Stocks pressionam petróleo

O petróleo está a ser pressionado pelos receios com o abrandamento económico em resultado da guerra comercial, mas também dos stocks dos Estados Unidos, que aumentaram na semana passada, sinalizado um potencial excesso de oferta no mercado e/ou descida da procura.

O Brent em Londres desce 0,73% para 70,47 dólares e o WTI em Nova Iorque recua 0,67% para 61,01 dólares.

 

Ouro recupera de perdas

O ouro, que também é um ativo de refúgio, tem sido penalizado nas últimas sessões pela alta do dólar. Mas hoje o metal precioso está a recuperar, com uma subida de 0,1% para 1.2764,63 dólares a onça.

 

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