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Acções da PT caem mais de 2% após CGD vender acções com desconto

Reacção das acções à venda da posição da Caixa Geral de Depósitos está a ser negativa. A PT desvaloriza 2,34% depois da CMVM ter levantado a suspensão dos títulos.

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As acções da Portugal Telecom regressaram à negociação em queda, reagindo de forma negativa à venda da posição de 6,11% que a Caixa Geral de Depósitos detinha no capital da operadora de telecomunicações.

 

Os títulos caem 2,34% para 3,499 euros, ainda assim uma cotação superior ao preço a que as acções foram alienadas pela CGD. O banco estatal vendeu as acções a 3,48 euros, a que corresponde um desconto de 2,88% face aos 2,583 euros a que os títulos da PT fecharam na sessão de ontem.

  

A operação de saída da Caixa Geral de Depósitos do capital da empresa portuguesa, que se encontra neste momento em processo de fusão com a brasileira Oi, foi comunicada esta segunda-feira em comunicado enviado através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O regulador suspendeu as acções no arranque da sessão, que terminou às 15h00.

 

O negócio foi feito com uma oferta particular de acções, através de um processo que se dirigiu apenas a investidores qualificados. Do lado do banco estatal, a venda insere-se na “estratégia de desinvestimento em activos não estratégicos”.

 

Os analistas consultados pelo Negócios alertaram para o eventual impacto negativo que a saída da CGD do capital da PT pode ter nas acções já que acontece no decorrer do processo de fusão com a Oi.

 

Esta decisão tem um impacto “claramente negativo” para a operadora, antecipa Steven Santos. O gestor da XTB Portugal lembra que “a CGD é um accionista estratégico da PT e faz parte dos investidores portugueses. No contexto da operação de fusão com a Oi, era importante haver accionistas portugueses de referência para contrabalançar a influência dos investidores brasileiros”.

 

Já Pedro Lino, administrador da Dif Broker, considera que “esta decisão já era esperada há algum tempo e até já tinha sido anunciada a intenção de venda assim que as condições de mercado o permitissem”, nomeadamente pela “necessidade de capital que iria obrigar a CGD a desinvestir de activos não estratégicos”.

 

Apesar disso, Steven Santos acredita que “esta notícia surge numa péssima altura para a Portugal Telecom porque ainda está a negociar a fusão com a Oi”. “Como a participação vai ser colocada numa operação directa para investidores institucionais, as acções e os direitos de voto deverão ficar dispersos, perdendo-se um accionista de referência que defendia a influência da PT dentro do gigante lusófono que vai ser criado”, justifica o gestor da XTB Portugal.

 

Uma posição que não é partilhada por Pedro Lino pois, “a partir do momento em que se anuncia a fusão com uma operadora de maiores dimensões onde os accionistas da PT serão minoritários, já não faz sentido estratégico manter esta posição”.

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