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Activistas levam AIG a dar 23 mil milhões aos accionistas

Dois investidores activistas pediram a venda total da empresa. A administração não concordou com os benefícios da operação e, agora, avançou com um plano para agradar a todos os investidores. Quer distribuir 23 mil milhões de euros.

EUA recupera 8,7 mil milhões de dólares da ajuda à AIG
André Tanque Jesus andrejesus@negocios.pt 26 de Janeiro de 2016 às 18:14
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O presidente-executivo da AIG anunciou esta terça-feira, 26 de Janeiro, a intenção de distribuir nos próximos dois anos 25 mil milhões de dólares pelos accionistas da empresa, cita a Bloomberg. São cerca de 23 mil milhões de euros, através de várias medidas, entre as quais a venda de capital de uma subsidiária e cortes de custos. Esta estratégia surge em resposta às exigências de Carl Icahn e John Paulson, conhecidos investidores activistas, que pretendiam a venda total da empresa.

A revelação de Peter Hancock em Wall Street foi antecipada por um comunicado da empresa. A AIG avançou que irá realizar uma operação pública inicial, através da qual procurará vender 19,9% do capital da United Guaranty, a seguradora de hipotecas do grupo. E esta é apenas uma das medidas desenhadas pela administração, de modo a distribuir valor pelos accionistas.

Será criada uma carteira de activos - apelidada de "legacy" -, que serão vendidos ou cujo tamanho será substancialmente reduzido. Outro dos planos é reorganizar o grupo, de modo a criar módulos de negócios que, caso registem fracos desempenhos, possam ser vendidos parcial ou totalmente. Ainda em 2015, a empresa utilizou mil milhões de dólares na compra de acções próprias, uma espécie de dividendo para os accionistas.

Estas medidas são a resposta da gestão da AIG aos sucessivos ataques dos investidores activistas Carl Icahn e John Paulson. Ambos já exigiram que a empresa fosse totalmente vendida, distribuindo posteriormente o montante angariado pelos accionistas da empresa. Mas Douglas Steenland, presidente da quarta maior seguradora do mundo, opôs-se à ideia, afirmando que "uma separação total no curto prazo iria prejudicar, não aumentar, o valor para o accionista".

Certo é que, até agora, Carl Icahn já enviou três cartas com as suas reivindicações à gestão de Peter Hancock. A última foi há uma semana, na qual apontava a necessidade de a empresa mudar drasticamente de estratégia. E a verdade é que estes investidores não estão sozinhos. Numa nota de análise, a Bernstein considera que, "após uma década a tentar salvar a empresa (…), acreditamos que separar a AIG e vendê-la parte por parte aos seus concorrentes estruturalmente superiores é simplesmente um caminho mais realista para criar valor para os accionistas".

A reagir em alta ao anúncio estão as acções da seguradora norte-americana. Os títulos da AIG estão a valorizar 1,39% para 56,13 dólares, sendo que a cotada já chegou a valorizar um máximo de 2,31% na sessão desta terça-feira. 

Empresa ainda tenta recuperar da crise

 

A economia mundial, em particular a norte-americana, estava no meio da crise do "subprime", quando a falência do Lehman Brothers agudizou-a e transformou-a na maior desde a Grande Depressão. O banco entrou em insolvência a 15 de Setembro e, um dia depois, era a vez da AIG. Mas esta era, então, a maior seguradora do mundo, pelo que o Tesouro dos EUA considerou-a demasiado grande para falir.

Foi então acordado que a Reserva Federal dos EUA emprestaria 85 mil milhões de dólares para capitalizar a AIG, ficando na posse de 79,9% do seu capital sob a forma de "warrants". Mas a ajuda estatal chegou a atingir um máximo de 182 mil milhões de dólares, com o Tesouro a deter mais de 90% do capital da seguradora. A primeira exigência foi que o então presidente executivo, Robert Willumstad, fosse substituído no cargo por Edward Liddy, antigo presidente da seguradora Allstate.

Esta mudança na administração foi apenas a primeira de três. Em Agosto de 2009, o conselho de administração propôs Bob Benmosche para presidente executivo, após Edward Liddy anunciar a reforma. Ainda foram precisos mais dois anos para que o Tesouro dos EUA começasse a reduzir a participação na AIG. Já em Dezembro de 2012, o Governo norte-americano anuncia a venda da restante posição na seguradora, pondo fim ao vínculo iniciado com o resgate em 2008.

Bob Benmosche ainda aguentaria um ano e meio no cargo, tendo sido substituído em Junho de 2014 por Peter Hancock. Agora, este tem a cabeça a prémio, depois de Carl Icahn já ter ameaçado pedir a sua substituição, caso a administração não avançasse com a venda total da seguradora, como era sua intenção.

Certo é que a AIG é, agora, apenas uma fracção do passado. Vale em bolsa cerca de 69,9 mil milhões de dólares, menos de metade dos 147,9 mil milhões registados no final de 2007, antes do agudizar da crise do "subprime" e da posterior falência do Lehman Brothers.

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