Bolsa Analistas: Fusão de menor dimensão nas acções do BCP agrada a grandes e pequenos

Analistas: Fusão de menor dimensão nas acções do BCP agrada a grandes e pequenos

Os especialistas realçam que o novo rácio da fusão de acções – de 75 títulos em vez de 193 – ajuda o banco a manter o interesse junto dos investidores particulares, ao mesmo tempo que vai ficar no radar de institucionais.
Analistas: Fusão de menor dimensão nas acções do BCP agrada a grandes e pequenos
Miguel Baltazar/Negócios
Patrícia Abreu 22 de abril de 2016 às 15:47

Ao contrário do que tinha proposto inicialmente, o BCP vai avançar com uma fusão de acções, mas mais pequena. Em vez de 193 títulos, o banco irá fundir apenas 75 acções. Uma operação de menor dimensão, mas que permite acomodar os interesses dos pequenos investidores, colocando-o em simultâneo na mira de grandes investidores, consideram os especialistas.

Cada grupo de 75 acções do BCP será reagrupado num único título. Esta é uma das propostas que foi aprovada esta quinta-feira, 21 de Abril, na assembleia-geral de accionistas do BCP. A operação pretende dar maior estabilidade às acções e atrair outro tipo de investidores, sem que o banco perca, porém, o interesse de pequenos investidores, que se opunham a uma reconversão na base inicialmente avançada.

"A nova cotação do BCP deverá rondar os três euros, mais comparável com os pares europeus, como, por exemplo, o Santander ou a banca italiana", refere Pedro Lino. O administrador da Dif Broker argumenta que, nestes níveis, o banco "consegue manter uma parte de pequenos investidores que, pelo seu volume diário conferem liquidez aos títulos".

A baixa cotação das acções, associada à elevada liquidez dos títulos, torna o BCP uma das acções mais apetecíveis junto de pequenos investidores, que procuram ganhar com as oscilações diárias, mas também dos especuladores. As apostas negativas na evolução dos títulos tem vindo a aumentar, com o seis entidades a apostarem na queda do BCP.

A redução do múltiplo de acções a reconverter teve, aliás, como preocupação agradar aos vários tipos de investidores. "O valor final defende toda a gente", defendeu Nuno Amado, presidente do banco, comentando a alteração à proposta de fusão de acções aprovada na assembleia-geral de ontem.

Fora das "penny stocks"

Ainda que mais pequena, a reconversão de acções vai tirar o banco do grupo de acções de cêntimos. "Por muito que possa ser uma ideia sem fundamento, a verdade é que um banco cuja cotação esteja próxima de zero cria uma sensação de desconfiança não só nos investidores, mas sobretudo nos depositantes e um banco depende da confiança para a sua actividade", explica João Pereira Leite, director de investimentos do Banco Carregosa.

O mesmo especialista lembra ainda que o reagrupamento de acções vai ajudar a colocar o banco no radar de grandes investidores, isto porque "alguns investidores institucionais não investem nas chamadas ‘penny stocks’".

Reembolso beneficia

Além da fusão de acções, o BCP anunciou ainda que pretende devolver parte da ajuda estatal recebida em 2012 nas próximas semanas, uma notícia que é considerada positiva para o banco. "O reembolso ao Estado é definitivamente uma boa notícia", diz João Pereira Leite.

Neste momento, o BCP tem para devolver 750 milhões dos 3 mil milhões de euros recebidos em 2012, quando pediu auxílio estatal tal como outros bancos como o BPI, a CGD e o BCP.

Em relação à possível entrada de um novo investidor no banco, o especialista destaca que o impacto deste investimento "depende do perfil do investidor, das condições da entrada, do peso que terá na composição accionista e qual a mais-valia que trará à estrutura".

"Estas medidas serão positivas a longo prazo, sobretudo se for um investidor europeu ou norte-americano que traga valor acrescentado ao banco e não apenas capital", acrescenta Pedro Lino.

As acções do banco estão a reagir bem às medidas aprovadas. Os títulos seguem a valorizar 2,31% para 0,0399 euros, mas já estiveram a ganhar um máximo de 6,41% durante a manhã.

Aqui pode calcular quantas acções receberá depois de concretizada a fusão dos títulos.




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