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Analistas traçam cenários para fixo da PT no Brasil

Surpresa e dúvidas. Foram os sentimentos dos analistas ao anúncio da intenção da PT entrar no fixo no Brasil. Sem grande informação, os especialistas traçam as oportunidades para a PT no território.

Bárbara Leite 17 de Dezembro de 2004 às 08:00
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Surpresa e dúvidas. Foram os sentimentos dos analistas ao anúncio da intenção da PT entrar no fixo no Brasil. Sem grande informação, os especialistas traçam as oportunidades para a PT no território.

Horta e Costa "levantou a lebre", esta semana, ao colocar, pela primeira vez, essa hipótese. O negócio da PT no Brasil tem duas áreas prioritárias: a consolidação das operações existentes e a captura selectiva do mercado com aproveitamento da terceira geração.

O CEO avançou que o futuro da PT no Brasil pode passar pela "Internet e quem sabe pela telefonia fixa", acrescentando ainda que a operadora está "empenhada em abranger todo o território" brasileiro.

O Jornal de Negócios falou com alguns analistas para ouvir reacções e as alternativas que o grupo pode ter na telefonia fixa brasileira.

Compra em grande.

Como a PT não especificou nichos mercado, o primeiro cenário que surge é a compra de uma das quatro grandes operadoras brasileira: Telemar, Telefónica, Brasil Telecom e Embratel.

Para todos os analistas contactados ficam praticamente excluídas deste cenário, a Telefónica e a Embratel. A primeira porque é parceira da PT e não deu indicações de venda, a segunda porque foi comprada, em Março último, pela mexicana Telmex que tem intenções de longo prazo neste mercado. Restam a Telemar e a Brasil Telecom.

Jacqueline Lison, do Banco Pactual lembra que "a Telemar anunciou que procura um sócio de montra e que os sócios da Brasil Telecom não se entendem", o que torna as empresas em potenciais alvos de compra, "dependendo do apetite deles (PT)". Também Roger Oey, do Banif Investment, é da mesma opinião, não vendo a PT criar uma operadora de raiz, devido aos elevados investimentos.

Estender parceria.

O segundo cenário é defendido pelo BPI, que acredita que a ingressão no fixo possa surgir de uma extensão da parceria no móvel com a Telefónica. Mas a analista do Banco Pactual lembra que o acordo "é restrito" ao móvel. A Telefónica, por seu lado, além do Brasil, está presente noutros mercados sul-americanos como Argentina, Peru e Chile, não precisando da PT para alavancar o negócio.

A Vivo, operadora móvel detida pelas operadoras ibéricas, poderia, todavia, tirar benefícios de eventuais serviços de convergência fixo-móvel.

Novos operadores e Internet.

Outra das alternativas seria também a aquisição de novos e pequenos operadores, como a Intelig ou a GVT, diz Lison, lembrando que os "incumbentes controlam mais de 94% dos seus mercados.

Entrar na telefonia fixa, pode não querer dizer "entrar na voz residencial", avaliou Roger Oey. A PT pode querer explorar outros nichos como a voz corporativa a longa distância internacional, ou só a transmissão de dados e banda larga. "E aí, há muitas pequenas empresas que podem ser compradas", refere Luciana Leocádio da BES Securities.

Outro dos cenários avançados pelo Banif pode ser também a adopção da tecnologia que permite a um telemóvel cobrar tarifas como fixo quando o cliente chegue perto da residência.

Ou estender a actividade da BUS, que gere as comunicações de dados do Bradesco e Unibanco, para outros segmento nas telecomunicações. A PT não quis acrescentar nada às declarações de Horta e Costa. O fixo de voz no Brasil está em queda, mas com penetração reduzida, de 25%. Em Novembro, havia 11 milhões de acessos à Internet numa população de 170 milhões.

*Correspondente em São Paulo

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