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António Borges acusa cotadas de prejudicar minoritários

O economista António Borges acusa as empresas cotadas de prejudicarem os accionistas minoritários, propondo, para evitar essa situação, a criação de mais associações de investidores em Portugal que defendam os seus interesses.

Bárbara Leite 12 de Março de 2003 às 12:50
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O economista António Borges acusa as empresas cotadas de prejudicarem os accionistas minoritários, propondo, para evitar essa situação, a criação de mais associações de investidores em Portugal que defendam os seus interesses.

Para o vice-presidente da Goldman Sachs International, há necessidade de proteger os accionistas minoritários em Portugal, uma vez que os dominantes limitam o espaço de intervenção dos detentores de pequenas posições em empresas.

A divulgação de toda a informação decorrente da actividade do grupo, em particular «as transacções entre os accionistas de referência e a própria empresa, será essencial para proteger os minoritários no mercado de capitais», afirmou Borges.

O presidente do Instituto Europeu de «Corporate Governance» defende ainda o reforço da independência dos administradores das empresas, sublinhando que «numa grande parte das empresas europeias é demonstrada a promiscuidade entre a gestão e os accionistas de referência».

Todavia, António Borges entende que a existência de accionistas de referência nas cotadas nacionais é «globalmente positiva», mas este modelo terá que se adaptar à dinâmica do mercado, impedindo os eventuais prejuízos dos minoritários.

Este responsável entende que o modelo ideal para a governação das empresas nacionais deveria passar pelo facto dos accionistas de referência não deterem a maioria do capital, por forma a evitar gestões unilaterais das empresas.

Borges disse ao Negocios.pt que a melhor forma de proteger os accionistas «é garantir que tenham a possibilidade de realizar (quando se sintam prejudicados) o verdadeiro valor das suas acções quando optarem pela sua venda, algo que não acontece na Europa, mas ocorre nos EUA».

«Temos que criar um mercado mais aberto e com mais acesso ao controlo das empresas, eliminando todas as limitações aos direitos de voto e permitir, ao mesmo tempo, que o controlo das empresas portuguesas seja decidido por investidores portugueses, espanhóis, franceses ou alemães».

Para fomentar esta dinâmica, Borges garante que o Governo, entidades reguladoras e os próprios emitentes têm um papel preponderante a desempenhar. Os investidores também poderão reforçar os seus interesses com a criação de associações que «têm que ser mais vigorosas» em relação ao que acontece actualmente.

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